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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

"Vaga para consultor de religiosidades na Globo"

A Rede Globo é uma empresa imensa e conta, só para a condução de sua tevê, com profissionais das mais variadas áreas do conhecimento, haja vista a necessidade de dar conta de um universo que demanda muita informação e formação. Por conta disso, psicólogos, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, historiadores, pedagogos e muitos outros profissionais estão entre os funcionários responsáveis por programações como as novelas, por exemplo, embora, para muitos, tal produto só necessite de atores, diretores e técnicos.

Se existem profissionais que poucos imaginávamos estar envolvidos com programas como os que invadem nossas casas todos os dias, e em até 4 horários, um profissional parece ter sido esquecido pela Vênus Platinada: o consultor de religiosidades, sobretudo se for religiosidade evangélica. Quem assiste à novela Avenida Brasil pode confirmar isso, pois, ao tratar do universo evangélico, a emissora líder de audiência se mostra ou ingênua ao extremo, ou maldosa até não poder mais.

Digo isso porque todas as vezes em que a Globo se dispõe a falar de evangélicos e mundo evangélico ela cai num reducionismo que beira à burrice. Os motivos, como é sabido, vêm de longe, tendo em vista a necessidade de combater arduamente a Rede Record, visto que tem nela o seu maior inimigo, o bispo Edir Macedo, fundador da IURD - Igreja Universal do Reino de Deus. O grande problema disso, como não seria difícil de prever, é que todo evangélico acaba por ser sinônimo de neopentecostal e seguidor de Macedo, o que não é nem de longe verdade. Para além dessa infelicidade, e talvez por conta disso mesmo, os evangélicos são sempre tratados com zombaria e de forma preconceituosa e mentirosa, uma vez que sempre aparecem como manipulados ou manipuladores e nunca em posição de destaque social, exceto se for por terem "roubado do povão".

Na versão mais recente da infelicidade global, a atriz Paula Burlamaqui interpreta uma evangélica que parece ser uma legítima pentecostal. A vestimenta mais comportada e o vocabulário que busca sempre chamar os outros de "abençoados" e de proferir sempre um "em nome de Jesus" confirmam minha hipótese de que se trata de uma "legítima pentecostal", uma assembleiana mesmo, já que poderia até se tratar de uma menção à maior denominação evangélica do país.

Acontece, no entanto, que evangélico para a Globo ou é ladrão ou é um maníaco sexual travestido de santo, haja vista a teimosa necessidade que aquela emissora tem de mostrar evangélicas que são "vadias travestidas" ou pastores que não passam de manipuladores da ingenuidade popular. Deste modo, a "evangélica da vez" nada mais é do que uma infeliz, que, tendo largado uma vida de esbórnia, tenta se reaproximar do filho e do ex-marido, mas que, no fundo, não aguenta nem o tocar de uma pequena parte de músicas de sua época de "mundão".

A cena do casamento da infeliz evangélica foi o que fez com que eu tivesse "pena da Globo", abrindo "em nome dela", uma vaga para consultor de religiosidades em seu imenso rol de profissionais. Para começar, a evangélica chamava o condutor do seu casamento de "sacerdote", o que não acontece no mundo evangélico em qualquer de suas denominações; o sujeito é chamado de pastor, de bispo e até de apóstolo, mas de sacerdote, não. O rito matrimonial apresentado também não tinha nada de evangélico, pois mais parecia um ritual panteísta, onde o ser sagrado está atrelado aos elementos da natureza, sendo chamado de "senhor das águas", "deus do sol", etc. Isso, como deveria ser conhecido da Globo, não acontece no mundo que eles pensam estar retratando. Para concluir o show de horrores "evangélico", a novela apresentou a bebida da festa; como não poderia haver "bebida forte" em casamento de crente, o líquido oferecido era o chá de erva cidreira! Para a emissora, portanto, não há refrigerantes ou sucos; evangélico não tem festa com bebida boa, o que mostra a estupidez de um casamento que serve chá de cidreira aos convidados. Para completar a série de imbecilidades, a noiva evangélica, ao ouvir uma música "do mundão", recebe um santo e fica fora de si, tirando a roupa e mostrando o que as evangélicas são para a Globo: prostitutas travestidas de santas.

À luz de tudo o que foi mostrando, então, fica aberta a vaga para consultor de religiosidades na Rede Globo de televisão. Não sei o quanto pagariam para tal profissional, mas sei que o salário seria bem melhor do que ganha um pobre professor como eu. Assim, senhores da Globo, se estiverem dispostos a beirar os 10 mil reais mensais - o que é mole para vocês -, não hesitem em ter em mim o primeiro candidato ao cargo!

liberdade, beleza e Graça...