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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

terça-feira, 19 de abril de 2016

"Agora, sim, há o que Temer"

A Câmara dos deputados aprovou e o Senado Federal deverá fazer o mesmo; Dilma Rousseff deverá mesmo ser afastada por 180 dias, tendo o Brasil, como resposta para a crise política, econômica e moral, um presidente que é muito mais responsável do que Dilma pela presente crise, já que, pelo que tudo indica, está envolvido com corrupção investigada pela Operação Lava Jato, além de carregar consigo um aliado que já provou ser o que de pior o mundo da política brasileira poderia produzir, Eduardo Cunha.

Em texto anterior, já citei o fato de que o impedimento da presidente só traria benefícios à grande mídia e às poucas famílias que controlam a informação no país, bem como aos corruptos e aos empresários, ávidos por um sistema de governo que retire dos trabalhadores os seus direitos, tal como foi dito pela Fiesp, que chegou a defender que o trabalhador deveria poder lanchar com uma mão e conduzir uma máquina com a outra, já que "uma hora de almoço é tempo demais".

Assim, com a democracia esfacelada por um golpe branco, já que o próprio relatório do deputado Jovair Arantes diz que há dúvidas sobre se houve crime de responsabilidade, mas, na dúvida, opta-se por condenar, dados os prejuízos que a crise trouxe ao país, vemos que não é mais necessário provar a condição de culpado, mas apenas se apropriar da dúvida, já que "o país precisa de uma resposta, e com muita urgência". Todavia, a urgência da resposta deve nos fazer pensar sobre o que temos para hoje; a "chapa" Temer/Cunha parece ser o que de pior poderia acontecer ao país, sendo que Cunha se mostrou mesmo o político mais poderoso da nação, já que consegue até fazer com que sua esposa e filha não sejam presas, ainda que não tenham foro privilegiado.

O susto e a motivação para o presente texto, no entanto, não veio do que já se sabia sobre a nova "chapa", mas do que já foi especulado sobre o possível encerramento da Lava Jato, aqui por mim anteriormente "profetizado". Sim, com as investigações da Lava Jato chegando ao vice presidente Michel Temer, dificilmente o mesmo, no cargo de presidente, permitiria que sua corrupção e a de seus parceiros, sendo o principal a figura que preside a Câmara, fossem investigadas e punidas.

O que minha "profecia" não trouxe é o reconhecimento da Polícia Federal de que "o papel já foi cumprido". Em reunião em Nova York, na ONU, já foi ventilada a possibilidade de a operação conduzida pelo juiz Sérgio Moro terminar até dezembro, pois, segundo os "conselheiros", assim como aconteceu com a Operação Mãos Limpas, na Itália, "não pode se estender demais e perder o foco". Nessa direção, Moro disse que sua parte termina mesmo até dezembro, deixando para Temer e os poderosos que substituirão Dilma a tarefa de "continuar". Como foi dito no título acima, agora sim há o que Temer. Eu devo ter vocação para profeta.

liberdade, beleza e Graça...