A partir de um convênio entre o IUPERJ e a FAPERJ, uma relevante pesquisa de opinião popular acerca da temática da desigualdade social no Brasil foi apresentada àqueles que se mostram interessados neste que é um dos maiores problemas da nação.
Na pesquisa, percebeu-se que a mobilidade social brasileira sempre foi marcada por movimentos de curta distância, sendo a percepção desse fenômeno bastante clara para a população tupiniquim.
Tanto assim é, que a maioria dos entrevistados entende que a sorte é a principal razão pela qual as pessoas são recompensadas e ascendem socialmente. Quase 50% dos que foram ouvidos pensam assim, sendo a amostra da pesquisa bastante relevante e contempladora de todos os estados brasileiros. Apenas 25% dos entrevistados consideram que a inteligência e a qualificação contam mais, e só 20% acham que os esforços pessoais têm responsabilidade maior na ascensão social dos brasileiros.
Muito curioso é que a mesma pesquisa aponta que conhecer alguém bem posicionado é mais importante até mesmo do que nascer em uma família rica! Pode-se, com isso, apontar que a sociedade brasileira não é percebida como meritocrática, mas como um espaço onde o compadrio, o "jeitinho" e a indicação de um "peixe grande" valem muito mais para se crescer.
Apenas 4% dos ouvidos apontaram que a solução para a sociedade brasileira se tornar mais igualitária depende de um esforço que pode começar em si mesmo, isto é, na própria figura do entrevistado. A contrapartida é que 67% acreditam que a ação coletiva teria um papel importante para diminuir a desigualdade, mas, num paradoxo quase inexplicável, esses mesmos entrevistados não se entendem como atores sociais relevantes para uma real mudança na estrutura de nossa sociedade. É mais ou menos a apresentação do imbróglio "a união faz a força, mas mesmo que eu me una, não contará muita coisa".
Assim, o que fica muito claro, ao se estudar a percepção que os brasileiros têm da desigualdade social, é que vigora o que o sociólogo Albert Hirschman chama de "efeito túnel"; um indivíduo preso em um túnel congestionado de carros, percebendo que a fila ao lado começa a andar, se tranqüiliza e se enche de esperança, pois, "se os outros estão progredindo, é sinal de que lá na frente a coisa está melhorando e logo as outras filas também andarão". Para se fiar no "efeito túnel", basta que o cidadão brasileiro conheça um "sortudo que subiu rapidamente", seja com corrupção, seja com nepotismo, seja com jogos de azar.
Num país de 180 milhões de habitantes, basta que apenas um deles tire o premiado bilhete da mega-sena; isso já será razão para que o esforço pessoal, a qualificação profissional e a inteligência do cidadão de bem percam espaço para a "grande sorte" do motorista da fila ao lado. No "efeito túnel", a hora de todo mundo vai chegar, sem muito esforço! Triste país esse nosso.
liberdade, beleza e Graça...
Quem sou eu
- Cleinton
- Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF, Doutor em Sociologia pela UERJ e Pós-doutor em Sociologia Política pela UENF. Pesquisador de Relações Raciais, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor do Instituto Federal de São Paulo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
"Algemas, fichas-sujas e Estado Democrático de Direito"
Foram motivos de escândalo para muitos brasileiros as decisões que foram o centro dos assuntos nos últimos dias, e que foram tomadas pela instância máxima da justiça de nosso país, o Supremo Tribunal Federal. As duas decisões últimas do STF coibem o uso indiscriminado de algemas em criminosos e liberam os candidatos "fichas-sujas" para participarem das próximas eleições, já que - em sua quase totalidade - tais indivíduos não foram condenados em todas as instâncias possíveis da lei brasileira. Não foi difícil ouvir da boca de muitos cidadãos indignados: "Para o pobre trabalhador, nada; para a bandidagem rica, tudo!". Até a conceituadíssima economista Míriam Leitão despejou sua indignação, na coluna que ocupa semanalmente em um importante jornal do país.
Apesar de - à primeira vista - parecer que toda razão deva ser dada aos revoltados eleitores e pessoas de bem de nossa nação, é preciso que uma reflexão mais aprofundada ganhe lugar aqui.
É sabido, lançando mão da Ciência Política, que a radicalização do princípio da igualdade colocou o Direito como foco da política e da vida social. Porém, apesar de o Direito ter invadido a esfera pública do mundo social, o mundo contemporâneo o reduziu - bem como as suas instituições - à mera função de controle social. O Direito passou, então, a ser o "lugar dos deveres". Para que se entenda a razão de tal acontecimento, é preciso refletir sobre aquilo que foi a base para a elaboração de uma série de construtos que hoje são dados como "muito naturais" e frutos de uma "evolução no pensar".
Percebendo a extremada hostilidade do mundo, tanto levando em conta a sua relação com a natureza como a relação com seus semelhantes, o homem buscou técnicas de sobrevivência e de defesa em um mundo hobbesiano do homo homini lupus (o homem é o lobo do homem). Para fugir disso, seria necessário um conjunto de regras que reduzissem os impulsos agressivos da humanidade, trazendo penas aos "desobedientes" e prêmios aos "enquadrados".
Outros pensadores contribuíram para ratificar a hipótese de Thomas Hobbes. Para Lucrécio, por exemplo, no estado de natureza os homens viviam more ferarum (como animais). Para Cícero, in agris bestiarum modo vagabantur (vagavam pelos campos como animais); em luta uns contra os outros, como queria Hobbes. A tese de John Locke, para quem "todos se encontravam em perfeita liberdade para dispor de suas posses sem pedir permissão a quem quer que seja", parece servir só mesmo para quem realmente tem as tais posses.
Num embate Hobbes/Locke, a sociedade brasileira se dividiu entre os subintegrados - para quem a justiça só serve para trazer os deveres a serem cumpridos e os sobreintegrados - para quem as instituições jurídicas só trazem direitos a serem usufruidos, já que esse grupo parece estar sempre acima dos deveres. É importante dizer, porém, que ambos os grupos estão vivendo a desigualdade social, carentes de uma das dimensões da justiça. Um não tem direito aos deveres e outro não alcança os favores dos direitos. Estão, pois, ambos, desenquadrados; desintegrados.
Sendo uma forte base para a confecção da justiça o que a hipótese hobbesiana defende, não deve ser motivo de indignação o fato de o cidadão ter agora conquistado o direito de não ser algemado, bem como o de não ser inelegível sem que todas as instâncias jurídicas sejam visitadas. Outros direitos ainda mais difusos como o de viver em um lugar sem a presença de emissão de gases poluentes ou o direito ao consumo já estão saindo da esfera da reinvindicação e, aos poucos, tornando-se direitos inalienáveis. A verdade é que a atual fase da modernidade clama por uma arena pública que traga mais direitos do que deveres, visto que Hobbes, Lucrécio e Cícero estão cada vez mais cedendo lugar a Locke, Rousseau e aos outros adeptos do homem como "bom desde o estado de natureza" e, portanto, merecedor dos mais variados direitos. A esfera pública deve, porém, estar cada vez mais atenta, pois tudo isso deve servir para todos; do Daniel Dantas ao José da Silva. É chegada, pois, a Era dos Direitos.
liberdade, beleza e Graça...
Apesar de - à primeira vista - parecer que toda razão deva ser dada aos revoltados eleitores e pessoas de bem de nossa nação, é preciso que uma reflexão mais aprofundada ganhe lugar aqui.
É sabido, lançando mão da Ciência Política, que a radicalização do princípio da igualdade colocou o Direito como foco da política e da vida social. Porém, apesar de o Direito ter invadido a esfera pública do mundo social, o mundo contemporâneo o reduziu - bem como as suas instituições - à mera função de controle social. O Direito passou, então, a ser o "lugar dos deveres". Para que se entenda a razão de tal acontecimento, é preciso refletir sobre aquilo que foi a base para a elaboração de uma série de construtos que hoje são dados como "muito naturais" e frutos de uma "evolução no pensar".
Percebendo a extremada hostilidade do mundo, tanto levando em conta a sua relação com a natureza como a relação com seus semelhantes, o homem buscou técnicas de sobrevivência e de defesa em um mundo hobbesiano do homo homini lupus (o homem é o lobo do homem). Para fugir disso, seria necessário um conjunto de regras que reduzissem os impulsos agressivos da humanidade, trazendo penas aos "desobedientes" e prêmios aos "enquadrados".
Outros pensadores contribuíram para ratificar a hipótese de Thomas Hobbes. Para Lucrécio, por exemplo, no estado de natureza os homens viviam more ferarum (como animais). Para Cícero, in agris bestiarum modo vagabantur (vagavam pelos campos como animais); em luta uns contra os outros, como queria Hobbes. A tese de John Locke, para quem "todos se encontravam em perfeita liberdade para dispor de suas posses sem pedir permissão a quem quer que seja", parece servir só mesmo para quem realmente tem as tais posses.
Num embate Hobbes/Locke, a sociedade brasileira se dividiu entre os subintegrados - para quem a justiça só serve para trazer os deveres a serem cumpridos e os sobreintegrados - para quem as instituições jurídicas só trazem direitos a serem usufruidos, já que esse grupo parece estar sempre acima dos deveres. É importante dizer, porém, que ambos os grupos estão vivendo a desigualdade social, carentes de uma das dimensões da justiça. Um não tem direito aos deveres e outro não alcança os favores dos direitos. Estão, pois, ambos, desenquadrados; desintegrados.
Sendo uma forte base para a confecção da justiça o que a hipótese hobbesiana defende, não deve ser motivo de indignação o fato de o cidadão ter agora conquistado o direito de não ser algemado, bem como o de não ser inelegível sem que todas as instâncias jurídicas sejam visitadas. Outros direitos ainda mais difusos como o de viver em um lugar sem a presença de emissão de gases poluentes ou o direito ao consumo já estão saindo da esfera da reinvindicação e, aos poucos, tornando-se direitos inalienáveis. A verdade é que a atual fase da modernidade clama por uma arena pública que traga mais direitos do que deveres, visto que Hobbes, Lucrécio e Cícero estão cada vez mais cedendo lugar a Locke, Rousseau e aos outros adeptos do homem como "bom desde o estado de natureza" e, portanto, merecedor dos mais variados direitos. A esfera pública deve, porém, estar cada vez mais atenta, pois tudo isso deve servir para todos; do Daniel Dantas ao José da Silva. É chegada, pois, a Era dos Direitos.
liberdade, beleza e Graça...
quarta-feira, 30 de julho de 2008
"O que fazer com os falsos profetas?"
Não é de hoje que as declarações bombásticas tiram o sono da gente de bem. Tendo vivido infância, adolescência e juventude (atualmente) nos anos 1980, 1990 e 2000, respectivamente, sempre tive os tímpanos de menino invadidos por frases de efeito que, quase sempre, beiraram o terror. Nos tempos passados, tais declarações sempre conseguiam me convencer, sem que eu pensasse em refutá-las. Mas, pudera, um menino vai refutar o quê nesse mundo cão? Todavia, a idade vem chegando e o benefício da dúvida vem sendo trazido aos poucos. O grande Fukuyama declarou que a história acabara e eu embarquei, sem titubeio, lendo sua tese; os estadunidenses disseram que foram à lua e eu nem pisquei os olhos, acreditando de pronto; outros disseram que o petróleo acabaria em 15 anos (eu era um molecote à época) e começamos a pensar em como solucionar o problema, plantando cana-de-açúcar aos borbotões. Mais recentemente, confesso que minha postura tornou-se cética; não acreditei que o Iraque tinha armas químicas e nem como fazer a bomba de hidrogênio. Deixei de acreditar em tudo "à primeira contada"! Perdi a ingenuidade, acho. E a culpa, reconheço, é da minha falecida avó.
Dona Jacionira Rezende morreu há dois anos - contando 92 primaveras -, jurando de pé junto que "o homem nunca foi à lua, e foi tudo armação!". Por causa da postura da vózinha - como eu carinhosamente a chamava - passei a não acreditar mais em qualquer coisa sem uma prévia análise crítica. Hoje, sem medo de ser feliz, afirmo: não acredito que o homem tenha pisado em solo lunar; não acredito no fim da história; não acredito em uma só palavra do velho e do novo Bush; e, pasmem, acho que a água não vai acabar jamais! Se Adam Smith tinha razão ao dizer que havia uma "mão invisível" que comandava a economia mundial, creio que há uma "sombra especulativa" que nos quer aterrorizar com declarações que nunca serão provadas.
Pelas leis bíblicas, se uma profecia não se realizasse, o profeta teria de ser apedrejado! Portanto, é hora de correr atrás dos "profetas", pois o petróleo é descoberto a cada novo dia, a história não acabou, o Iraque não tinha armas químicas - e nem capacidade para a bombra da infâmia -, e não me convencem mais - e não apenas a mim - de que se pisou no satélite dos românticos.
Então, homens e mulheres de senso crítico, às pedras! Ops, esqueci-me de que sou pastor! Deixemos as pedras, pois. O texto vira, assim, uma homenagem à vózinha, que me ensinou a duvidar. Jacionira Rezende vive!
liberdade, beleza e Graça...
Dona Jacionira Rezende morreu há dois anos - contando 92 primaveras -, jurando de pé junto que "o homem nunca foi à lua, e foi tudo armação!". Por causa da postura da vózinha - como eu carinhosamente a chamava - passei a não acreditar mais em qualquer coisa sem uma prévia análise crítica. Hoje, sem medo de ser feliz, afirmo: não acredito que o homem tenha pisado em solo lunar; não acredito no fim da história; não acredito em uma só palavra do velho e do novo Bush; e, pasmem, acho que a água não vai acabar jamais! Se Adam Smith tinha razão ao dizer que havia uma "mão invisível" que comandava a economia mundial, creio que há uma "sombra especulativa" que nos quer aterrorizar com declarações que nunca serão provadas.
Pelas leis bíblicas, se uma profecia não se realizasse, o profeta teria de ser apedrejado! Portanto, é hora de correr atrás dos "profetas", pois o petróleo é descoberto a cada novo dia, a história não acabou, o Iraque não tinha armas químicas - e nem capacidade para a bombra da infâmia -, e não me convencem mais - e não apenas a mim - de que se pisou no satélite dos românticos.
Então, homens e mulheres de senso crítico, às pedras! Ops, esqueci-me de que sou pastor! Deixemos as pedras, pois. O texto vira, assim, uma homenagem à vózinha, que me ensinou a duvidar. Jacionira Rezende vive!
liberdade, beleza e Graça...
segunda-feira, 30 de junho de 2008
"Os novos movimentos religiosos e a volta triunfal do maniqueísmo"
A doutrina dualista do profeta persa Manes ou Mani (séc. III AD) influenciou religiosos do Ocidente e do Oriente durante muitos anos. Até o santo Agostinho de Hipona deixou-se contagiar pela crença de que o mundo divide-se em duas instâncias, ministradas por duas entidades que duelam entre si, e em pé de igualdade; a luta entre o bem e o mal, liderada por Deus e o diabo, um de cada lado. Embora o dualismo tenha caído no esquecimento durante séculos, eis que os novos movimentos religiosos o conseguiram fazer ressuscitar, e com grande força. Mesmo sem conseguir conceituar suas práticas, ligando-as ao profeta persa dualista, os pentecostais de terceira onda (neopentecostais), adeptos da doutrina G12 - também chamada de "visão dos 12" - assumiram o dualismo maniqueísta com todo vigor e vontade.
A "vantagem" de tal postura se dá pelo fato de que o modelo de governo neopentecostal não admite a democracia; o povo não tem autonomia para votar e escolher o que fazer ou seguir, tendo o líder, extremamente carismático - no sentido weberiano -, todo o poder para decidir pelas ovelhas (nunca o termo ovelha foi tão adequado!). Se o mundo está dividido em duas esferas e uma é a do bem e a outra do mal, não há como encontrar uma postura outra; uma opção outra; "não há neutralidade", como eles mesmo gostam de afirmar.
Os pastores que proclamam tal visão, não podem jamais ser retirados de seus postos de poder, uma vez que qualquer pessoa que ousar dizer que eles estão errados, estará defendendo a causa do lado oposto, isto é, a causa do mal, do diabo. Como nenhum crente gostaria de ser reconhecido como sendo "do outro lado"...
Dia após dia vê-se pessoas massacradas por líderes carismáticos que, não querendo perder o muito dinheiro e poder que têm, expulsam todos aqueles que não aceitam as muitas manifestações de intolerância e maldade de suas práticas.
Com isso, a igreja cristã está padecendo. As ovelhas estão sem pastor, e o que se ouve nos púlpitos são mensagens prontas de auto-ajuda emocionalista, vazias de verdade bíblica.
Alguém perguntaria; "como saber se o meu pastor e igreja estão embarcando em tal doutrina herética?". A resposta não é tão difícil; basta que aquele que está preocupado com o futuro de sua comunidade de fé atente para os modelos de crescimento (eu diria "inchamento") de igreja que seu pastor resolveu adotar por conta de não ver a igreja crescer "só pregando a Bíblia". Geralmente esses modelos vêm dos Estados Unidos, depois de já terem feito um bom estrago em comunidades cristãs por lá. Os métodos estadunidenses de "crescimento de igrejas" são, em quase todos os casos, o início do fim.
Portanto, quando as leituras e as indicações de leitura do teu pastor fizerem surgir autores como Watchman Nee, Neusa Itioka, Rebbeca Brown, Benny Hinn e outros de mesma linha, fique esperto, o buraco está mais próximo do que você imagina. É entrar na "visão" e ficar ceguinho da silva!
liberdade, beleza e Graça...
A "vantagem" de tal postura se dá pelo fato de que o modelo de governo neopentecostal não admite a democracia; o povo não tem autonomia para votar e escolher o que fazer ou seguir, tendo o líder, extremamente carismático - no sentido weberiano -, todo o poder para decidir pelas ovelhas (nunca o termo ovelha foi tão adequado!). Se o mundo está dividido em duas esferas e uma é a do bem e a outra do mal, não há como encontrar uma postura outra; uma opção outra; "não há neutralidade", como eles mesmo gostam de afirmar.
Os pastores que proclamam tal visão, não podem jamais ser retirados de seus postos de poder, uma vez que qualquer pessoa que ousar dizer que eles estão errados, estará defendendo a causa do lado oposto, isto é, a causa do mal, do diabo. Como nenhum crente gostaria de ser reconhecido como sendo "do outro lado"...
Dia após dia vê-se pessoas massacradas por líderes carismáticos que, não querendo perder o muito dinheiro e poder que têm, expulsam todos aqueles que não aceitam as muitas manifestações de intolerância e maldade de suas práticas.
Com isso, a igreja cristã está padecendo. As ovelhas estão sem pastor, e o que se ouve nos púlpitos são mensagens prontas de auto-ajuda emocionalista, vazias de verdade bíblica.
Alguém perguntaria; "como saber se o meu pastor e igreja estão embarcando em tal doutrina herética?". A resposta não é tão difícil; basta que aquele que está preocupado com o futuro de sua comunidade de fé atente para os modelos de crescimento (eu diria "inchamento") de igreja que seu pastor resolveu adotar por conta de não ver a igreja crescer "só pregando a Bíblia". Geralmente esses modelos vêm dos Estados Unidos, depois de já terem feito um bom estrago em comunidades cristãs por lá. Os métodos estadunidenses de "crescimento de igrejas" são, em quase todos os casos, o início do fim.
Portanto, quando as leituras e as indicações de leitura do teu pastor fizerem surgir autores como Watchman Nee, Neusa Itioka, Rebbeca Brown, Benny Hinn e outros de mesma linha, fique esperto, o buraco está mais próximo do que você imagina. É entrar na "visão" e ficar ceguinho da silva!
liberdade, beleza e Graça...
sábado, 31 de maio de 2008
"Dos novos pecados capitais"
O Vaticano apresentou à sua comunidade religiosa uma lista que aumenta para 11 os anteriormente famosos "7 pecados capitais". Penso ser bastante sugestiva a mudança, pois o número 7 significa perfeição, sendo que, admitamos, perfeição é tudo o que o pecado não é.
A razão para acrescentar outros 4 pecados ao grupo que era composto por gula, avareza, inveja, soberba, luxúria, preguiça e ira é que, segundo a cúria romana, "esses pecados são individuais demais para um mundo tão globalizado e plural". Assim, o que o Vaticano pretendeu com essa mudança foi trazer à tona o que ele chamou de "pecados sociais".
Na nova lista estão o erros humanos que afetariam a humanidade como um todo e não apenas o dono do erro capital. Então, entraram na crista da onda a poluição do meio ambiente, o uso de drogas ilícitas, o provocar a pobreza e o ficar extremamente rico.
Confesso que os dois últimos bem que poderiam ser resumidos num só, pois, sabido é, um chama o outro, mas respeito a vontade do Papa e de seus aliados católicos.
Pela leitura que faço dos ditos de Jesus, não há diferença entre pecados; pecar é "errar o alvo", e isso não é mensurado como maior ou menor, a depender da distância que se fica do alvo a ser acertado. Porém, não posso negar que a Bíblia traz também aqueles atos que seriam "abomináveis aos olhos do Senhor". Nesse particular, a fofoca é que deveria ocupar o lugar de pecado-mor, pois, em sua Palavra, Deus diz que "aquele que levanta intrigas entre irmãos, não controlando a sua língua, é anátema", maldito mesmo. Portanto, fica aqui o meu voto para a fofoca como pecado capital, na "próxima eleição" do Vaticano.
Outro erro grave (será que foi pecado?!), foi a ausência da corrupção. Como não falar dela em um mundo globalizado como esse em que vivemos? Afinal, foi por conta dessa tal globalização que os 4 novos pecados chegaram à condição de "capitais".
Na minha modesta opinião, ficaria então completa a lista dos "pecados capitais do Vaticano". Ou melhor, para o Vaticano. Afinal, é difícil imaginar um pecado do Joseph Ratzinguer.
Agora, enfim, teríamos, com a minha pequena contribuição, 13 pecados capitais. E, vamos, venhamos, convenhamos e admitamos, em se tratando de pecado, querer 7 é até pecado, 11 é muito sem graça, e 13 é tudo de bom (ou melhor, é tudo de ruim!). Ficam 13, pois. Afinal, que outro número representaria melhor os mais famosos "erros capitais da humanidade?". Sei que essa tese não agradaria ao Zagallo, mas trabalho com a moda!
liberdade, beleza e Graça...
A razão para acrescentar outros 4 pecados ao grupo que era composto por gula, avareza, inveja, soberba, luxúria, preguiça e ira é que, segundo a cúria romana, "esses pecados são individuais demais para um mundo tão globalizado e plural". Assim, o que o Vaticano pretendeu com essa mudança foi trazer à tona o que ele chamou de "pecados sociais".
Na nova lista estão o erros humanos que afetariam a humanidade como um todo e não apenas o dono do erro capital. Então, entraram na crista da onda a poluição do meio ambiente, o uso de drogas ilícitas, o provocar a pobreza e o ficar extremamente rico.
Confesso que os dois últimos bem que poderiam ser resumidos num só, pois, sabido é, um chama o outro, mas respeito a vontade do Papa e de seus aliados católicos.
Pela leitura que faço dos ditos de Jesus, não há diferença entre pecados; pecar é "errar o alvo", e isso não é mensurado como maior ou menor, a depender da distância que se fica do alvo a ser acertado. Porém, não posso negar que a Bíblia traz também aqueles atos que seriam "abomináveis aos olhos do Senhor". Nesse particular, a fofoca é que deveria ocupar o lugar de pecado-mor, pois, em sua Palavra, Deus diz que "aquele que levanta intrigas entre irmãos, não controlando a sua língua, é anátema", maldito mesmo. Portanto, fica aqui o meu voto para a fofoca como pecado capital, na "próxima eleição" do Vaticano.
Outro erro grave (será que foi pecado?!), foi a ausência da corrupção. Como não falar dela em um mundo globalizado como esse em que vivemos? Afinal, foi por conta dessa tal globalização que os 4 novos pecados chegaram à condição de "capitais".
Na minha modesta opinião, ficaria então completa a lista dos "pecados capitais do Vaticano". Ou melhor, para o Vaticano. Afinal, é difícil imaginar um pecado do Joseph Ratzinguer.
Agora, enfim, teríamos, com a minha pequena contribuição, 13 pecados capitais. E, vamos, venhamos, convenhamos e admitamos, em se tratando de pecado, querer 7 é até pecado, 11 é muito sem graça, e 13 é tudo de bom (ou melhor, é tudo de ruim!). Ficam 13, pois. Afinal, que outro número representaria melhor os mais famosos "erros capitais da humanidade?". Sei que essa tese não agradaria ao Zagallo, mas trabalho com a moda!
liberdade, beleza e Graça...
quarta-feira, 30 de abril de 2008
"Aborto: questão religiosa, jurídica ou de debate público?"
Na semana última, uma pesquisa feita pela parceria UNB/UFRJ revelou um fato que seria, noutros tempos, chamado de estarrecedor: as católicas - já mães, com idade entre 20 e 30 anos e com a vida financeira já estabilizada - são as mulheres que mais praticam abortos.
O foco na opção religiosa é proposital, pois há tempos essa temática não consegue justa discussão e flexibilização da parte do Vaticano. Mais difícil parece ser agora, quando a cúria papal está sob a égide do híper-conservador Joseph Ratzinger, o Bento XVI.
A discussão acerca da interrupção de uma gestação é uma das mais carentes de um debate aberto. Como se sabe, no Brasil a prática do aborto é crime e manda para a cadeia, sem titubeio, qualquer mulher que ousar "tirar a vida de um inocente indefeso", nas palavras das associações e organizações contrárias à prática aqui discutida.
O Vaticano, por sua vez, é taxativo: "o aborto é um pecado gravíssimo e dos mais abomináveis que se pode cometer". Mesmo com palavras tão afirmativamente duras, as católicas abortam.
O que se pode concluir disso é que a coerção social, exercida pela religião, enquanto fato social, perde força a cada dia, visto estarmos vivendo a era que o escritor Rubem Amorese chama de "era da individualização e da privatização". Pela tese desse autor, a vida privada passou a falar tão alto que as pessoas, a independer até mesmo de suas opções religiosas, passam a dizer: "A vida é minha e eu faço o que eu quero, dá licença?!".
Se a religião não tem mais o poder de mexer com as estruturas e com a cosmovisão católica, radicalmente modificadas, tampouco pode fazê-lo a lei brasileira. Prova disso é que existem pelo menos 3,5 milhões de "criminosas" soltas pelo país. E, para piorar, são mulheres bastante independentes, bem formadas e informadas e detentoras de uma crítica bastante relevante. Além de pagadoras de impostos, claro. Portanto, o debate se faz bastante pertinente.
Assim, deixando de lado o viés religioso e a questão forense - compreensivelmente obsoletos para o tratamento do tema aqui proposto -, a discussão que clama por atenção diz respeito ao tipo de política pública - nas áreas da educação e da saúde - que deverá ser implantado para que se trabalhe a temática do aborto com o máximo de vontade política.
Penso que, assim como a temática das drogas não-legalizadas, o tema do aborto merece a mortificação da demagogia para que, ouvindo-se o já bem considerável grupo de milhares de mulheres brasileiras "ilegais", se consiga encontrar idéias que valorizem a vida humana em todos os seus momentos - inclusive na gestação -, levando-se em conta também os direitos outros do ser humano. Lembrando que o problema não é mais a morte de adolescentes nas mesas de clínicas e parteiras ilegais. O novo aborto tem se mostrado uma postura bem pensada e escolhida. É necessário, pois, que se descriminalize o ato e se chame as maiores interessadas no tema para o debate.
Só a educação e o diálogo aberto e tolerante poderão trazer as respostas que a lei e a religião deixaram de oferecer. Porém, é importantíssimo que se coloque em pauta nesse diálogo as motivações dessas mulheres entrevistadas. É curioso que as justificativas das mesmas estejam sempre ligadas à primeira pessoa; o "eu" aparece o tempo todo: "Abortei porque a criança atrapalharia os meus planos de viagem ao exterior"; "Abortei, pois uma gestação atrapalharia meu sonho de mestrado"; "Abortei, pois percebi que não era o que eu queria"; "Eu achei que não era hora e meu marido concordou". Frases como essas só vêm corroborar a tese de Amorese acerca da privatização e do individualismo, pois o outro não é lembrado em tempo algum. E olha que esse outro pode estar tão próximo que chega a estar dentro! Será que não se pode pensar antes?!
É por essas e outras que - e não apenas por ser pastor - em se tratando de aborto, vou continuar dizendo NÃO!
liberdade, beleza e Graça...
O foco na opção religiosa é proposital, pois há tempos essa temática não consegue justa discussão e flexibilização da parte do Vaticano. Mais difícil parece ser agora, quando a cúria papal está sob a égide do híper-conservador Joseph Ratzinger, o Bento XVI.
A discussão acerca da interrupção de uma gestação é uma das mais carentes de um debate aberto. Como se sabe, no Brasil a prática do aborto é crime e manda para a cadeia, sem titubeio, qualquer mulher que ousar "tirar a vida de um inocente indefeso", nas palavras das associações e organizações contrárias à prática aqui discutida.
O Vaticano, por sua vez, é taxativo: "o aborto é um pecado gravíssimo e dos mais abomináveis que se pode cometer". Mesmo com palavras tão afirmativamente duras, as católicas abortam.
O que se pode concluir disso é que a coerção social, exercida pela religião, enquanto fato social, perde força a cada dia, visto estarmos vivendo a era que o escritor Rubem Amorese chama de "era da individualização e da privatização". Pela tese desse autor, a vida privada passou a falar tão alto que as pessoas, a independer até mesmo de suas opções religiosas, passam a dizer: "A vida é minha e eu faço o que eu quero, dá licença?!".
Se a religião não tem mais o poder de mexer com as estruturas e com a cosmovisão católica, radicalmente modificadas, tampouco pode fazê-lo a lei brasileira. Prova disso é que existem pelo menos 3,5 milhões de "criminosas" soltas pelo país. E, para piorar, são mulheres bastante independentes, bem formadas e informadas e detentoras de uma crítica bastante relevante. Além de pagadoras de impostos, claro. Portanto, o debate se faz bastante pertinente.
Assim, deixando de lado o viés religioso e a questão forense - compreensivelmente obsoletos para o tratamento do tema aqui proposto -, a discussão que clama por atenção diz respeito ao tipo de política pública - nas áreas da educação e da saúde - que deverá ser implantado para que se trabalhe a temática do aborto com o máximo de vontade política.
Penso que, assim como a temática das drogas não-legalizadas, o tema do aborto merece a mortificação da demagogia para que, ouvindo-se o já bem considerável grupo de milhares de mulheres brasileiras "ilegais", se consiga encontrar idéias que valorizem a vida humana em todos os seus momentos - inclusive na gestação -, levando-se em conta também os direitos outros do ser humano. Lembrando que o problema não é mais a morte de adolescentes nas mesas de clínicas e parteiras ilegais. O novo aborto tem se mostrado uma postura bem pensada e escolhida. É necessário, pois, que se descriminalize o ato e se chame as maiores interessadas no tema para o debate.
Só a educação e o diálogo aberto e tolerante poderão trazer as respostas que a lei e a religião deixaram de oferecer. Porém, é importantíssimo que se coloque em pauta nesse diálogo as motivações dessas mulheres entrevistadas. É curioso que as justificativas das mesmas estejam sempre ligadas à primeira pessoa; o "eu" aparece o tempo todo: "Abortei porque a criança atrapalharia os meus planos de viagem ao exterior"; "Abortei, pois uma gestação atrapalharia meu sonho de mestrado"; "Abortei, pois percebi que não era o que eu queria"; "Eu achei que não era hora e meu marido concordou". Frases como essas só vêm corroborar a tese de Amorese acerca da privatização e do individualismo, pois o outro não é lembrado em tempo algum. E olha que esse outro pode estar tão próximo que chega a estar dentro! Será que não se pode pensar antes?!
É por essas e outras que - e não apenas por ser pastor - em se tratando de aborto, vou continuar dizendo NÃO!
liberdade, beleza e Graça...
quarta-feira, 26 de março de 2008
"Instalações poéticas"
Depois de horas
Depois de horas, não percebo os efeitos
Posologias mais que arcaicas junto ao leito
De outras visitas, estolas sacerdotais
Tentam ludibriar: "tenho a verdade e muito mais"
Em quem devo acreditar? Por qual caminho vós pretendeis me levar?
Eu sempre tive mais medo do escuro
Se encontrar a chave, dê a luz; me deixe ver
Cante a canção com a qual outrora eu dormia
Visite as trancas e olhe se embaixo da cama
Alguém que não foi convidado veio ouvir histórias
E expulsa; manda longe. Longe
És o caminho, a verdade e a vida
Mas será que pra seguir tem de sangrar nova ferida?
liberdade, beleza e Graça...
Depois de horas, não percebo os efeitos
Posologias mais que arcaicas junto ao leito
De outras visitas, estolas sacerdotais
Tentam ludibriar: "tenho a verdade e muito mais"
Em quem devo acreditar? Por qual caminho vós pretendeis me levar?
Eu sempre tive mais medo do escuro
Se encontrar a chave, dê a luz; me deixe ver
Cante a canção com a qual outrora eu dormia
Visite as trancas e olhe se embaixo da cama
Alguém que não foi convidado veio ouvir histórias
E expulsa; manda longe. Longe
És o caminho, a verdade e a vida
Mas será que pra seguir tem de sangrar nova ferida?
liberdade, beleza e Graça...
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