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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF, Doutor em Sociologia pela UERJ e Pós-doutor em Sociologia Política pela UENF. Pesquisador de Relações Raciais, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor do Instituto Federal de São Paulo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

"Retratos de uma pandemia: cacetinho"

Ele era intérprete de surdos, professor de LIBRAS, além de ser pastor auxiliar em uma igreja no Vale do Paraíba. Como era obeso e estava longe da família, que mora em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, resolveu pedir umas férias à igreja e ficar perto da família até a pandemia acalmar um pouco, já que, para quem é do grupo de risco, estar perto de familiares e amigos de longa data é a melhor coisa.

Pegou Covid 19 justamente no sul do país, junto da família, e não resistiu aos efeitos perversos da doença. Não teve velório e nem os familiares puderam estar no sepultamento, por mais cruel que isso possa parecer. O pastor Edison, o Edinho, como era carinhosamente chamado, foi mais uma das quase 620 mil vítimas da Covid. Conheci-o no seminário, onde nos formamos em Teologia, e em raras ocasiões nessa vida eu vi alguém mais alegre e que alegrasse mais o ambiente. 

Estudamos na mesma sala de seminário e viajamos juntos uma vez, numa comitiva de 40 jovens fazendo trabalho voluntário no sertão do nordeste, onde ele era o motivo máximo da nossa gargalhada. A imagem dele brincando de hipopótamo a abaixar dentro da água de um riacho ainda está na memória, assim como o apelido de "cacetinho", que demos pelo fato de gente do sul chamar pãozinho francês dessa maneira. Que Deus te receba em festa, meu bom amigo!

liberdade, beleza e Graça...

 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

"O mar e a ilha; Marília"

É curioso como a juventude nos faz tão abertos à criatividade, à arte. Muitos dos grandes poetas e escritores ofereceram suas obras mais sublimes em idades que pareciam não comportar tamanha genialidade. Penso que com Marília Mendonça a coisa se deu exatamente da mesma maneira, o que me faz pensar em pessoas que deixaram o melhor de si para a humanidade ainda adolescentes, do que é grande exemplo o poeta Arthur Rimbaud, que produziu suas obras mais famosas quando ainda era só um menino. 

Apesar do muito que se pode falar sobre Marília Mendonça, e dentro de uma classe intelectual que se nega a reconhecer a arte popular, pois a considera "menor", duas coisas me fizeram reparar nessa menina goiana que encantou o país e se foi com apenas 26 anos de idade. A primeira coisa que a classe intelectual se nega a enxergar é o lado positivo e encantador do apelo que obras como a de Marília têm sobre as pessoas e, a segunda, como isso impacta também movimentos sociais, como o feminista.

É inegável que Roberta Miranda abriu o caminho e veio enfrentar um estado de coisas muito mais hostil às mulheres, coisa que as lutas dos movimentos sociais evitaram que Marília enfrentasse. Todavia, Marília Mendonça tem méritos que justificam o status a ela dado em tão pouco tempo de vida e carreira, visto que conseguiu mobilizar duas frentes bem marcadas. A primeira é a que versa sobre a questão pessoal, com a autoestima, já que estamos falando de alguém que - assim como os irmãos Cézar Menotti e Fabiano - enfrentou o show business sem ter "o padrão estético adequado", uma vez que se tratava de uma menina obesa. A segunda frente é mais ampla, pois versa sobre as contribuições de Marília para o Movimento Feminista, mostrando que não é só do homem o direito de viver os amores da vida, tomar os licores da vida, narrar as peripécias amorosas vividas.

Ser obeso e encarar a exposição pública é algo que carece de muita coragem, já que, com a gordofobia espraiada por todos os cantos (e ela visitou "todos os cantos"), quase sempre a vergonha toma conta e a pessoa se torna uma ilha, isolada pelo oceano de críticas e julgamentos. Já, ter "a coragem de ser" (senteça que roubo de Paul Tillich), é se deixar virar mar, um oceano que vai levando tudo, como se fosse corriqueira a atividade de carregar o mundo consigo. Marília Mendonça conseguiu as duas coisas; a menina gorda deixou de ser ilha para ser mar. Foi mar, sem ter tido medo de contar que outrora fora ilha; foi - e para sempre será - Marília.

liberdade, beleza e Graça...  


(Ps: Minha homenagem à cantora e compositora Marília Mendonça, vítima fatal de um acidente aéreo no dia do meu aniversário, 05 de novembro. A data do texto aqui é anterior, pois eu estava devendo um escrito no blog).

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

"Armai-vos uns aos outros"

Vendo dia desses uma manifestação em defesa do governo Bolsonaro, uma camiseta me chamou a atenção e me fez pensar profundamente sobre o estado de coisas atual, pensar sobre o lugar em que nos metemos enquanto famílias, cristãos, cidadãos etc. Isso porque a camiseta trazia o presidente fazendo o seu tradicional sinal de "arminha" e a frase que vinha abaixo era simplesmente chocante: "armai-vos uns aos outros", fazendo alusão a um texto bíblico bastante conhecido, o "amai-vos uns aos outros".

Confesso que essa sentença bolsonarista foi a segunda frase mais chocante que li nos últimos anos, sendo a primeira a de uma placa de papelão levantada em um semáforo por uma pessoa até bem vestida que dizia: "estou com fome". Eu nunca tinha visto alguém bem vestido dizer que estava com fome e, como era por volta de 14 horas, imaginei que o estômago daquele cidadão deveria estar já bem dolorido, pois sei como é ficar sem comer, visto que já tive também a experiência da fome. Ajudei.

Mas o foco agora é a frase da camiseta do manifestante bolsonarista. Pensei por muitos dias e decidi que talvez fosse interessante comprar uma camiseta daquelas e voltar a frequentar a igreja. Isso porque eu gostaria de olhar nos olhos das pessoas (e a igreja que eu frequentava tem em torno de 80% de bolsonaristas), no intuito de ver se alguma reflexão poderia surgir. Pensei que talvez a frase, sendo bem (re)lida e pensada, pudesse trazer à tona uma saída do surto, da catarse em que a igreja evangélica se meteu com esse governo, e que as pessoas pudessem, enfim, dizer: "cara, pensando bem, que burrada é essa? Onde nos metemos com esse apoio insano?

Isso porque uma reflexão detida acerca da frase obviamente deveria nos fazer sempre pensar sobre o que fizemos do Evangelho, da ética cristã, do amor expresso no Cristo Nazareno e da solidariedade que Jesus teimou em nos inspirar a viver. Perceber que trocamos a paz pela guerra, o amor pelo ódio e a solidariedade pelo individualismo e a violência contra o próximo, bem como perceber que anos atrás a gente não se odiava dentro da própria igreja, talvez isso nos faria perceber a furada em que nos metemos, ouvindo líderes como Silas Malafaia, que nem de longe deveria ser exemplo de vida cristã. 

O "armai-vos uns aos outros" é a síntese a explicar a maior parte da igreja evangélica brasileira, igreja da qual resolvi não mais participar, já que, independentemente das perdas sociais que tenho tido, ainda vale muito mais a pena ficar com a fala de Jesus, a "amai-vos uns aos outros", frase já banalizada e até esquecida pelos cristãos de hoje, tão impregnados pelo ódio que a família Bolsonaro e seus seguidores milicianos nos relegaram. Que Deus tenha piedade de nós e nos livre desse mal.

liberdade, beleza e Graça... 


quarta-feira, 25 de agosto de 2021

"Direitos trabalhistas: estão passando a boiada no Congresso!"

É já sabido que Jair Bolsonaro não agrada à maioria da população. Qualquer instituto de pesquisa diz isso, independentemente da possível linha ideológica de cada instituto, já que tais órgãos também representam segmentos da sociedade, como é o caso das pesquisas financiadas pela CNI - Confederação Nacional da Indústria, que, óbvio, terá sempre um olhar voltado para o empresariado industrial. A dúvida, então, é por que razão tal descontentamento não se transmuta em uma resposta efetiva do Parlamento.

A resposta parece ser simples: Bolsonaro e suas falas e posturas autoritárias e antidemocráticas são mera cortina de fumaça para que a burguesia brasileira toque para frente seu projeto de nação, que é o país como fonte de riquezas para uma pequena parcela, aquela que consegue jungir empresários, banqueiros e especuladores de bolsa de valores. Para esses, ainda que Bolsonaro seja uma besta, ele "deixa a boiada passar" na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, onde as pautas empresariais têm encontrado bom trânsito desde a posse daquele que a (agora) maioria desaprova. 

Em post antigo esse espaço defendeu que o estrago feito por Michel Temer, em termos de direitos trabalhistas, e só para ficar nesse exemplo, duraria 20 anos para ser consertado. Hoje, infelizmente, preciso afirmar que o estrago feito pelo bolsonarismo durará muito mais, com o risco de nunca mais deixar o país ser um espaço democrático e afeito ao contraditório. Se a burguesia brasileira se importa com isso? Parece que não, visto que até trabalho sem carteira assinada, sem férias, sem 13º salário e sem FGTS foi proposto por essa classe que nunca se cansou de enriquecer a si e massacrar a outrem. 

Se reclamam do fato do deputado Arthur Lira, presidente da Câmara, não pautar um pedido sequer de impedimento de Jair Bolsonaro, a resposta está no fato de que Lira tem conseguido colocar em pauta aquilo que interessa à classe que ele representa, e até faz parte. Sem impeachment e sem um debate sobre o que tem passado pelo Congresso, corremos o risco de jogarmos uma geração inteira no lixo, restando a nós programinhas como um "criança esperança" da vida, através do qual o empresariado mostra "sua cara bondosa", visto é que preciso uma cesta básica por ano para que a luta contra a desigualdade pareça estar se dando, mudando-se tudo para que tudo fique como está. 

liberdade, beleza e Graça...

    

sábado, 24 de julho de 2021

"O grande golpe da direita agora é o tal semi-presidencialismo"

Quem acompanha o mundo político sabe como a situação de polarização transformou o Brasil em um campo de batalhas nunca dantes visto, e isso desde a eleição presidencial de 2014, na qual o candidato do PSDB, Aécio Neves, recusou-se a "desmontar o palanque", colocando em xeque a vitória da petista Dilma Rousseff, o que dividiu o país de forma muitíssimo intensa, chegando ao ponto de dividir famílias e separar amigos de longa data, o que só fez piorar com a chegada da extrema-direita bolsonarista ao poder, e isso já na eleição presidencial de 2018. 

É sabido que a direita brasileira não suportava mais ser governada por partidos de esquerda e as quatro derrotas consecutivas, duas para Lula e outras duas para Dilma, fizeram com que uma resposta tivesse de ser dada, o que gerou uma articulação inimaginável, unindo parte do judiciário, a grande mídia e o empresariado brasileiro, naquilo que, só para começo de conversa, conseguiu mandar para a prisão o candidato à vitória em 2018, Lula, que ulteriormente seria solto, justamente pelo fato de o Supremo Tribunal Federal ter percebido que ele próprio, o guardião da Constituição, teria burlado a Carta Magna, visto ter autorizado uma prisão antes de se confirmar o chamado trânsito em julgado, que é quando as quatro esferas da justiça são esgotadas e o réu de fato deve ser preso, o que não valeu para Lula, como todos sabemos. 

Acontece, todavia, que o tiro da direita saiu pela culatra e aquele que eles pensavam que seria controlado por um "freio de arrumação", Jair Bolsonaro, não se mostrou tão domável assim, o que assustou aqueles que achavam que ele poderia respeitar os limites constitucionais e o Estado Democrático de Direito, algo que Bolsonaro afronta a cada novo dia, fazendo surgir um sem número de "Madalenas arrependidas", ávidas pela chegada de 2022, quando tentarão consertar o erro cometido. 

O que não estava em pauta para a direita brasileira, porém, é que não se conseguiu construir (ainda) uma candidatura que agrade ao "mercado" e à burguesia brasileira, que agora se vê numa situação que ela não desejava viver, isto é, ter de correr para os braços de Lula, já que admite agora que ao menos estaria lidando com uma figura democrática, o que nem de longe Bolsonaro é.

Assim, e para que a burguesia brasileira conseguisse suportar mais uma eleição com derrota de seu projeto neoliberal de capitalismo financeiro (e a chamo com o termo clássico "burguesia", pois aprendi com o músico Emicida que não se fala "elite", pois isso significa os melhores, o que nossos ricos não são e nunca foram), seria preciso uma ideia para se livrar de Bolsonaro e de Lula ao mesmo tempo. A genial ideia, então, é colocar em pauta no Congresso Nacional o chamado "semi-presidencialismo", que é o sistema de governo onde o presidente representa, mas não governa de fato. Deste modo, a burguesia brasileira, que banca a campanha eleitoral de grande parte dos parlamentares, teria, para além do poder econômico, o poder político em suas mãos, já que quem mandaria seriam os deputados e senadores, (aqueles com campanhas financiadas pelo grande empresariado e pelos banqueiros), sendo o presidente apenas uma figura decorativa, como nos parlamentarismos e monarquias ao redor do mundo.

Portanto, não se pode mais duvidar que a classe burguesa do país queira agora estender ainda mais os seus tentáculos, chegando ao ponto de fundar de vez a plutocracia, o governo de quem tem mais dinheiro, no país onde a quem falta tudo falta, em um gesto a justificar o "mudar tudo para que não se mude nada", uma vez que na cultura ainda escravocrata de tal grupo de burgueses insiste-se que quem sempre mandou continuará a mandar, referendando o famigerado "sempre foi assim". 

liberdade, beleza e Graça...

 

quarta-feira, 30 de junho de 2021

"O uso político da saúde funcionará de novo para Bolsonaro?"

O presidente está encurralado por números de uma pandemia que ele negou e por uma CPI muitíssimo preparada e atenta a denúncias de corrupção que o presidente conhecia, mas não fez nada para evitar. Resultado: hora de apelar para a questão da saúde novamente, tendo o filho Carlos, muito corajoso em redes sociais, como fomentador de notícias e apelos que possam transformar o pai em mito e vítima de "perseguição comunista", de novo.

Os rumores dão conta de que Jair Bolsonaro pode ter uma doença muito séria (talvez um câncer), mas que a esconde, a fim de que a facada sofrida em 2018 seja sempre a razão de tudo o que a ele acontece de ruim, lembrando sempre que, a fim de buscar ligar Lula a tudo o que o cerca, a facada foi dada por um ex-filiado do PSOL, partido que seria o braço esquerdo do Partido dos Trabalhadores, num forçar de barra que não está mais tendo potência para colar.

Lula está à frente de Bolsonaro em todas as pesquisas de intenção de voto para 2022, incluindo aquelas feitas por entidades à direita do espectro político, como a da XP investimentos, tão ávida por uma vitória bolsonarista em 2018, e também em 2022. Vendo que a retórica que defende que "isso é coisa da Globo e do Datafolha" não pode mais ser usada, a intenção do bufão do Planalto é tentar mudar a personagem a representar, agora, não o corajoso, incomível, imbloxável e atlético anti-vacinas, mas a vítima de atentado político que, óbvio, precisa chegar a Lula e ao PT, e a qualquer custo.

Se em 2018, por pura solidariedade ao candidato hospitalizado, os adversários o pouparam de críticas, o que em muito colaborou para sua eleição, já que, além da imagem de quase martirizado por querer mudar o Brasil, ele ainda não teve problematizadas as suas ideias (extremamente nocivas, diga-se) sobre mulheres, lgbt´s, negros, terras indígenas, reforma agrária, meio ambiente, educação pública etc., não se pode acreditar no mesmo nesse 2021 pré-eleitoral, já que os olhos parecem estar se abrindo, a vontade de que o presidente responda pelos seus atos e omissões está se mostrando a cada dia mais real, e, com a catarse coletiva parecendo estar no seu final, já até é possível ver as Madalenas arrependidas trocando o grito de "Mito, mito, mito!" pelo "eita, facada mal dada!".

liberdade, beleza e Graça... 


segunda-feira, 24 de maio de 2021

"Porque foi fácil o bolsonarismo cooptar a igreja"

Eram vários os candidatos e muitas as visões de mundo. Poderíamos ter escolhido qualquer outro. Todavia, o anti-petismo lava-jatista construído e apregoado dia e noite pela grande mídia, voltada politicamente à direita, conseguiu fazer com que o ganhador da eleição fosse aquele que mais conseguiu mostrar ódio ao Partido dos Trabalhadores. Bolsonaro ganhou por conseguir expressar mais ódio do que qualquer outro e por tratar o adversário político como inimigo, digno de morte mesmo.  

Se formos analisar o plano de governo, veremos que não existe. Nunca existiu. Como não houve debate para que isso ficasse à mostra, uma vez que o então candidato sofreu um atentado que o tornou quase um mártir, a situação parecia mesmo, como querem os evangélicos bolsonaristas, "algo colocado por Deus e que o diabo estava tentando frear". A vitória veio, mas deu no que deu. O que vemos é só expressão de ódio e a vontade deliberada de não governar, mas apenas se vingar. Mas de quê? Por que? Não se pode falar que a vingança foi por ser considerado terrorista e ser expulso do exército, pois e atual presidente conseguiu a militarização dos ministérios de forma que nem em tempos de ditadura tinham conseguido fazer. Não houve, então, mágoa com o exército, pois os afagos às forças armadas mostram que a expulsão de outrora ficou mesmo no passado; está perdoada.

Para além da burguesia, muito bem representada pelo alto empresariado e pelos grandes conglomerados de mídia, além dos especuladores do capitalismo financeiro, estava colocada a igreja evangélica. Por mais difícil que seja entender o aval da igreja para um governo de intolerância e ódio, um caminho pode ser apontado para ajudar na análise das posturas que, se fossem analisadas à luz dos ensinos de Jesus Cristo, seriam de todo reprovadas. A visão vetero-testamentária do movimento neopentecostal oferece uma possibilidade de se entender tal ligação da igreja dita cristã com o ódio bolsonarista. 

Tempos atrás eu defendi uma tese de que o movimento evangélico brasileiro se divide em 3 grandes frentes, sendo cada uma delas focada em uma das pessoas da trindade. Embora todas acreditem que Deus é trino, os protestantes históricos (batistas, presbiterianos, congregacionais, luteranos etc.) focam sua regra de fé e prática em Jesus Cristo e seus ensinos do Novo Testamento. Os pentecostais (Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, Metodistas etc.) teriam foco nos chamados dons espirituais, com atenção maior na pessoa do Espírito Santo. Já os neopentecostais, teriam foco no Deus-pai, este encontrado no Antigo Testamento bíblico.  

Quando se foca o Antigo Testamento, que é o foco da visão vetero-testamentária neopentecostal, não é raro encontrarmos passagens em que o povo de Deus comete as maiores atrocidades para a conquista da terra que afirmam ser dele. Assim, ver crentes lendo que barrigas de grávidas foram vazadas à espada para que o povo de Deus tivesse a terra que queria conquistar é algo muito natural e não se vê qualquer indignação com textos assim, lidos até por crianças e adolescentes, o que naturaliza a violência, pois a mesma pode ser feita "em nome de Deus".

Por tudo isso, então, não é mais de assustar ver os ditos cristãos defendendo e aplicando o ódio nas relações sociais que têm com seus próximos, pois o próximo que deve ser amado agora é só o próximo que pensa igual, o que abre espaço para discursos de ódio e posturas extremamente agressivas em um meio que sempre defendeu pregar o amor, sobretudo aos mais necessitados, como os encarcerados que deveriam ser visitados, segundo o discurso de Cristo, mas que, no discurso bolsonarista da igreja atual, "devem ser eliminados ou apodrecer na cadeia, pois é lá mesmo o seu lugar". As portas do inferno insistem em prevalecer.

liberdade, beleza e Graça...