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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"A propósito das eleições, a política como vocação"

O período de eleições sempre traz uma série de dúvidas aos que têm a obrigação (ainda é obrigatório!) de escolher apenas um dentre os vários candidatos que, em pouco - ou em nada - se diferenciam uns dos outros. É difícil votar e, sendo isso um dever, eleger alguém torna-se uma tarefa ainda mais hercúlea.
Tomando as eleições municipais no Rio de Janeiro como lugar para essa reflexão, percebe-se que os eleitores têm a opção de votar na "mudança" proposta por Eduardo Paes ou na "mudança" proposta por Fernando Gabeira.
A "mudança" de um intenta dar prosseguimento a uma ordem já instituída (seguir a rota já traçada pelo Cabral Filho no governo estadual). A "mudança" do outro, por sua vez, nada mais faz do que dar prosseguimento à essa mesma ordem instituída, visto que uma aliança entre o PV e o PSDB/DEM não seria pensada - e nem aceita - pelo próprio Gabeira pouquíssimo tempo atrás.
Sendo assim, parece que o povo carioca votará por uma "mudança que não muda nada". Ou muda bem pouco, se optar-se por uma postura mais otimista.
É, pois, chegada a hora de pensar esse fato à luz de pensamentos de outrora. O sociólogo Max Weber, em um dos seus clássicos - A política como vocação -, propõe o que seria um político e uma política verdadeiramente vocacionados.
Para Weber, o político por vocação seria aquele que vivesse para a política e não da política. Um outro critério weberiano para um político por vocação seria o fato de o indivíduo ter cálculo prospectivo e senso de responsabilidade. Traduzindo em miúdos, Weber defende que um político por vocação deve tomar suas decisões pensando não apenas em seu mandato, mas em um momento em que não estaria mais nos postos de governo, inclusive responsabilizando-se pelas implicações futuras de seus atos presentes. Além disso, o político deve ter em mente um projeto que consiga ver problemas futuros e, prospectivamente, propor - já no seu mandato - as soluções mais cabíveis.
Portanto, é possível escolher o próximo prefeito do Rio, sem precisar aceitar apenas "promessas de campanha" ou "musiquinhas bonitas" de uma classe artística bem representada. A escolha, se quiser passar pelos critérios weberianos, deve levar em conta os planos de governo, a vida de cada um dos dois candidatos, o que fizeram até aqui, e o fator mentira.
Quando dizem que em pesquisa popular pelas ruas não se encontrou alguém que dissesse que o Gabeira é desonesto, lembro que também não se encontrou alguém que dissesse algo diferente acerca do Paes. Nesse critério, portanto, não os consigo diferenciar. Quanto a viver para ou da política, parece-me que ambos vivem dela; novo empate. (Será que é por isso que está tão empatada a fatura?).
As propostas de Fernando Gabeira - mesmo que sem a fundamental clareza acerca de sua execução - parecem mesmo ser prospectivamente calculadas, uma vez que ele diz que seu projeto "visa preparar o Rio para os próximos 20 anos". As de Eduardo Paes não ficam longe da prospecção aqui defendida, pois falam de obras que não se poderiam fazer em um ou dois mandatos, tais como uma série de ações que envolvem a participação estadual, como o acordo acerca das novas linhas do metrô.
O senso de responsabilidade parece também fazer parte dos dois planos de governo, uma vez que os dois candidatos defendem que poderão ser cobrados no futuro por ações que estão sendo propostas agora.
Defendo que votar no Gabeira é uma boa por um lado; já imaginou, meu caro leitor, que decepção seria um governo ruim para uma classe artística que está colocando sua cabeça a prêmio por uma pessoa que nunca ganhou uma eleição majoritária? Já imaginou como seria encarar a opinião pública após terem defendido uma criatura que não conseguiu entender a diferença entre o legislativo e o executivo? Pouca gente se arriscaria tanto, não é fato? É de se pensar, pois.
O lado ruim desse voto é a aliança que o Gabeira fez com o PSDB. Ele não pode dizer que não haverá "leilão de cargos", pois os cargos já estão comprometidos com a aliança mantenedora do status quo.
Votar no Paes é uma boa por um lado; já imaginou, meu caro leitor, que desastre seria para as ambições de Lula - que intenta uma aliança Dilma/PMDB (Cabralzinho?) para sua sucessão em 2010 -, se o governo Paes "pisasse na bola"? O "terceiro mandato" estaria ameaçado, não?
O lado ruim desse voto é saber que, enquanto se louvam o poder das UPAs, os médicos são, para o mesmo governador que as exalta, "um bando de vagabundos"!
No final das contas, temos razões para votar e não votar nos dois candidatos. Deixei, no entanto, o fator mentira para o final dessa reflexão. Porém, Max Weber não teorizou nada nesse sentido. É preciso, então, que mandemos os dois candidatos ao Programa Silvio Santos, para passarem pelo "mentirômetro". Quem conseguir enganar mais a máquina, leva a fatura. Façam as suas apostas!

liberdade, beleza e Graça...

3 comentários:

Aline disse...

METIDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!
UHUUUUUUUUUUUUUU!!!! TÁ MUITO GAROTÃO, MESTRANDO!!!!! ADOREIII!!!
BJOS ENORMES!!!!

Cesar Pinheiro disse...

É isso aí Cleinton! Temos de fato um bocado de coisas a fazer. E faremos. Bora tocar esse barco pra frente. Abração.

Paz e Bem. Cesar.

Felipe Fanuel disse...

Caro Clei,

É bom ler você novamente. Há muito tempo não vinha aqui. Acabei de postar um comentário no seu texto sobre aborto.

Quanto às eleições, votei no Gabeira, certo de que estava contribuindo para um movimento em prol da renovação política na nossa cidade. O fato de ele ter perdido não afetou esta consciência, que, querendo ou não, foi vitaminada por sua campanha em jovens como eu. Não sou personalista, por isso, creio que o Gabeira passa, mas um movimento é sempre maior que apenas uma só pessoa.

Aproveito para parabenizá-lo pelo mestrado na UFF.

Aquele abraço.