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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia, Filosofia e Ética do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

sábado, 26 de maio de 2018

"Uma greve que a mídia não conseguirá demonizar"

A greve dos caminhoneiros mostrou uma possibilidade política que, ao que parece, não estava em pautas governamentais de qualquer esfera, seja municipal, estadual ou nacional. Se já é possível ver uma desmobilização sindical, por conta de reformas nas leis trabalhistas que esvaziam a força dos sindicatos e tornam cada vez mais difícil o alcance de demandas via greves, como as de bancários e professores, por exemplo, o movimento dos caminhoneiros mostrou uma força capaz de colocar o país todo de joelhos.

É sabido que o Brasil é totalmente dependente do transporte rodoviário, o que lança luz sobre uma série de temas acerca dos entraves para o desenvolvimento nacional, sobretudo em se tratando do transporte, via caminhões, dos resultados do pujante agronegócio brasileiro, resultados esses que fazem do país, como é já sabido, um dos maiores exportadores de commodities do mundo, sendo quase sempre o primeiro colocado na exportação de grãos como soja e milho. 

Embora pareça, a greve ainda não acabou e o governo não tem tido facilidade em cumprir o que prometeu aos caminhoneiros, haja vista o fato de que o tabelamento para um preço mínimo do frete, uma das demandas a serem atendidas, não encontra aceitação junto aos muitos empresários do setor, lembrando que o que já foi atendido contempla o empresariado do transporte de cargas, mas não o faz em relação aos caminhoneiros autônomos. 

É claro que tal situação está presente nos noticiários, mas é curioso perceber como a grande mídia se encolheu em relação aos caminhoneiros e tem evitado demonizar o movimento grevista, atitude contrária ao que sempre fez, já que se posicionou historicamente de modo contrário aos pleitos dos trabalhadores em luta pelos seus direitos, tão espoliados por um empresariado cada vez mais ávido por lucros de toda monta. 

Se já sentiu na pele o efeito cascata e devastador de uma greve dos transportadores de cargas pela malha rodoviária do país, a grande mídia pouco tocará no assunto, no intuito de não se expor, posicionando-se como contrária ao movimento, pois, nesse caso, não contará com alternativa, nem mesmo se chamar uma de suas figuras mais conhecidas, já que, mesmo que a Angélica seja instada pela Globo a falar que "vai de táxi", não haverá combustível nos postos e os taxistas, ainda que involuntariamente, estarão, também, em greve.

liberdade, beleza e Graça...