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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia, Filosofia e Ética do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"E o Lobão, quem diria, estava mesmo com a razão"

Nos anos 1990, o cantor e compositor Lobão desafiou a grande mídia e rompeu com as gravadoras, que também já tinham rompido com ele. Irritado com a baixa remuneração que as gravadoras enviavam aos músicos, Lobão decidiu lançar seus discos de forma independente, utilizando as bancas de jornal para tal. Além disso - e o que apavorou a todos na indústria fonográfica - o músico disse que apoiava a pirataria, uma vez que considerava o preço dos discos muito alto e que vivia na pele a desgraça de ser a parte que menos ganhava numa produção musical. Lobão, como sempre, foi considerado um lunático.
Anos depois, em 2007, a excelente banda britânica Radiohead lançou o álbum In Rainbows em versão online, sem qualquer medida de proteção tecnológica, permitindo aos interessados download mediante o pagamento que os usuários achassem justo. Não se sabe o quanto a banda faturou, mas a postura do Lobão acabara de ser ressuscitada. Já o menos discreto Trent Reznor divulgou que seu trabalho Ghosts I-IV, também com pagamento voluntário pela internet, lhe trouxera 1,6 milhão de dólares em 2008.
Como já tinha sido denunciado por Lobão, os músicos sempre receberam uma fração muito pequena das vendagens dos discos. Deste modo, o pagamento voluntário via internet parece que veio como uma solução interessante, uma vez que não é preciso muito para que o artista ganhe com os downloads o mesmo que ganhava com os direitos sobre as vendas de seus CDs.
Estudos mostraram que, ao longo de um período de cinco anos, 48% dos usuários desses serviços online pagaram até 8 dólares por álbum, quando o preço mínimo era de 5. Todos os dados apontam para clientes pagando bem mais do que o preço mínimo estipulado pela banda, sendo que, no caso do Radiohead, a taxa mínima apenas cobria os gastos da transação.
A estrutura do sistema é bastante simples, pois apoia-se na prática de evitar a obrigatoriedade estrita do pagamento. A música se torna acessível em formatos fáceis de fazer downloads e o sistema de pagamento é inteiramente voluntário ou conta com mecanismos que garantem que o preço seja fruto de uma definição razoavelmente voluntária.
É claro que tais experiências são bastante novas, mas já é possível perceber que, se tal inovação não terá força para deixar um artista milionário, ao menos não empobrecerá os artistas de mais sucesso, como profetiza a indústria fonográfica. O melhor de tudo é que o músico, por esse novo sistema, pode fazer o tipo de música que quiser, sem precisar atentar para as exigências de gravadoras que nada mais fazem do que obrigar um tipo de musicalidade que "está dando certo".
O que vemos, então, é que os pagamentos voluntários para downloads online abrem um importante caminho para bons artistas, que, mesmo sem grandes gravadoras, tentam sobreviver e prosseguir com seu trabalho.
Só quem perdeu feio foram as gravadoras, mas, convenhamos, quanto essa gente não embolsou quando estávamos acostumados a ouvir que bandas, duplas e artistas solo vendiam milhões de cópias, sendo que ganhavam apenas 1 real, ou menos, por cada disco?
O tempo passou e a tecnologia provou que o lunático não era tão maluco assim. Temos sim de reconhecer; o Lobão, quem diria, estava mesmo com a razão!

liberdade, beleza e Graça...