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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia, Filosofia e Ética do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

"Quando a corrupção aparece, é sinal de bons tempos"

Tem coisas que são impossíveis de se entender no Brasil. A reclamação acerca do surgimento de denúncias de corrupção é uma delas. O povo parece não gostar de saber que estão roubando, e roubando desde que Cabral aportou por aqui. As denúncias, as prisões e tudo o que remete aos males feitos por pessoas importantes da nação parecem soar como algo negativo da parte de um governo. Mas seria isso correto? É claro que não. Não há nada mais benéfico para uma democracia do que o povo estar a par do que acontece, ainda que o acontecimento esteja relacionado a roubos dos mais variados matizes.

Alguns pensam, ingenuamente, que a corrupção começou de 2002 para cá. Pelo menos é essa a ideia que pretendem espalhar muitos dos veículos de mídia, que não se cansam de vender a ideia de que a corrupção quando aparece é algo ruim, sendo que também depõe contra o governo em andamento. Mas é importante que se espalhe o contrário, pois nada é pior para uma democracia do que o povo pensar que tudo está bem, quando na verdade muitos roubam, corrompem e se corrompem, a torto e à direita, mas sem que qualquer possibilidade de investigação traga a verdade à tona.

Portanto, é hora de mudar a forma de pensar. É hora de fazer o contrário. É hora de querer que toda a corrupção existente venha à luz, sem que os governantes intervenham na atuação da Polícia Federal e do Ministério Público, mesmo que isso soe negativo para os mercados, sempre ávidos por terras onde o grau de investimento e confiança seja alto, sendo que isso implica em camuflar muito do que fazem os operadores de um capitalismo que há muito se esgotou. Afinal, de que adianta a satisfação dos mercados com uma economia que, escondendo os podres de um país, mostra pujança lucrativa, mas esconde o que fazem na surdina os que verdadeiramente lucram com tal lógica, a saber, os especuladores de uma globalização que valoriza mais o capital inexiste do que aquele que realmente existe e pode mudar positivamente a vida dos povos?

Por isso, que venha um final antológico para os mensalões, todos eles: o do PT, o do DEM, e o de quem mais for. Que venha o final da Lava Jato, punindo todos os culpados, sem qualquer seleção midiática de nomes. Que venha ao menos a menção da Operação Zelotes, pois ela parece inexistir, sendo que é mais importante do que todas as outras. E que nunca mais tenhamos no país finais decepcionantes como o da Operação Satiagraha, onde, por conta de "uma vírgula", todo o processo foi anulado e os corruptores voltaram a andar soltos e felizes, rindo na cara de um povo que já se cansou de ser feito de besta, já que percebe com muita clareza que o Daniel Dantas e o Roger Abdelmassih só estão soltos por terem a simpatia de um daqueles que, a bem da verdade, até deveriam temer: o ministro Gilmar Mendes, o preferido de toda a bandidagem direitista e de colarinho branco que chega ao STF.

liberdade, beleza e Graça...


Um comentário:

Liana Santos disse...

"a torto e à direita"... Mensagem sublinar no texto, mostrando a quem devemos temer de verdade...rsrs.