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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Metodologia Científica do IFES - Instituto Federal do Espírito Santo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Os responsáveis pelo que acontece na Síria e no Iraque"

Poucos sabem, mas a situação em países do Oriente Médio e em outros mais ao extremo Oriente se repete em históricos de alianças e desavenças que nos fogem à compreensão. Os que outrora eram aliados, em pouco tempo se tornam inimigos de marca maior, a ponto de lembrarmos que Saddam Hussein foi aliado dos Estados Unidos na guerra entre o Irã e o Iraque, mas veio a se tornar o inimigo número 1 da nação dos Bush. Do mesmo modo, Osama Bin Laden foi muito útil no apoio aos Estados Unidos, quando da luta para a expulsão da antiga União Soviética do Afeganistão, bem como outros exemplos, que poderiam aqui inspirar uma análise da situação atual na Síria e no Iraque. 

Se o grande inimigo hoje é o Estado Islâmico, seria Bashar Al Assad o malvado favorito da vez? Parece que sim, embora isso gere discordância séria entre os estadunidenses e os russos. Para Vladimir Putin, presidente da Rússia, o melhor caminho é retornar ao cardápio de sempre: usar o exército de Assad, apoiando-o com armas e logística agora, e ver no que dá depois, como já foi feito com outros malvados de marca maior. Já para Barack Obama, um apoio a Assad é uma afronta e o melhor seria uma guerra onde se prescindisse do apoio do presidente sírio.

A grande verdade é que o mundo é o que é hoje sobretudo por conta de intervenções estadunidenses que não fazem para além de marcar território e tentar a todo custo uma possibilidade de novos recursos energéticos, razão pela qual ninguém se interessa por enfrentar o Boku Haram, já que ali parece não haver petróleo em jogo. Deste modo, ainda que este grupo mate muitas vezes mais do que o Estado Islâmico, a morte de 10 mil pessoas na África não tem o mesmo peso de um assassinato de 6 jornalistas em plena Paris, o que leva 3 milhões de pessoas às ruas, incluindo as maiores autoridades europeias. Como se vê, existem lugares aonde se pode morrer; aonde tranquilamente se deixa morrer.

O Iraque está em frangalhos e integrantes do Partido Republicano estadunidense ainda acham que a saída é uma nova intervenção militar. A Síria está em frangalhos e uma ocupação estadunidense também é tida como uma saída, embora os democratas, parceiros de Obama, entendam que é melhor não se expor tanto. A compreensão de tal discórdia pode ser solucionada pelas contribuições da Teoria Política, infelizmente pouco acessada pelos que intentam trazer respostas aos dramas citados.

A Teoria Política mostrou que, nos Estados Unidos, em tempos de eleições, dois fatores são fundamentais para o sucesso de uma empreitada em busca da presidência: a economia precisa estar crescendo e os militares precisam estar voltando para casa. Com a proximidade do pleito que antagonizará provavelmente Hillary Clinton a Trump, Mc Cain ou outro azarão de última hora, seria interessante para Obama a retirada de novas tropas no exterior, visto que a economia, o outro indicador explicativo, já está em crescimento por lá. Para os republicanos, por sua vez, é importante conseguirem convencer Obama a enviar tropas agora, o que retiraria grandes chances do partido do atual presidente em se manter no poder.   

Assim, que se matem na Nigéria, na Síria ou no Iraque, pois agora é muito importante não enviar tropas e não deixar a "peteca econômica" cair. O Estado Islâmico, mesmo com a utilização que parece estar fazendo de armas químicas, só será destruído - temporariamente, já que depois tudo volta ao que era antes, como a experiência mostra - quando uma intervenção militar por terra acontecer. Mas a Teoria Política mostra que isso não deverá acontecer. Afinal, para que esse enfrentamento acontecesse, só se torres começassem novamente a cair no quintal do Tio Sam. Mas agora isso é muito difícil; elas parecem mais firmes no seu lugar.

liberdade, beleza e Graça...