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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

"Da arte de falar e fazer"

Em todos os lugares e momentos dessa vida é possível encontrar-se pessoas que têm um talento admirável; possuem a arte de falar e fazer. Para a infelicidade nossa de todos os dias, essas pessoas são em menor número do que um outro grupo; aquele composto das pessoas que falam, mas não fazem.
A igreja é uma instituição que não conseguiu - mas deveria - fugir a essa triste regra. Se a constatação entristece, ao menos é possível encontrar-se o diagnóstico: as pessoas gostam de falar para que outras possam fazer. Mas elas mesmo, que deveriam fazer algo, nada fazem.
Após fazer-se tal triste diagnóstico, consegue-se ainda chegar ao sujeito da ação (de falar, e não de fazer, claro). O grande “vencedor” nessa categoria de vida é o saudosista. O saudosista tem saudade do que foi; e do que fez. Invariavelmente, tem saudade do que não é mais e do que não faz mais.
Após tal compreensão, é claro que novos horizontes se abrem. Afinal, se existem pessoas que falam o tempo todo, esperando que outras façam, ao menos se tem um grupo que vê o que precisa ser feito. Alguns existem que fazem, mas apenas se souberem o que se tem para fazer.
Assim, fica-se com dois grupos - separados e estanques - que poderão nunca se encontrar, pois os que falam não fazem e os que fazem não sabem o quê e nem onde.
De lado a lado, não é difícil ouvir-se frases do tipo; “No meu tempo era assim”, “Antigamente tinha isso”, “Noutros tempos já foi melhor”, “Se eu soubesse teria feito” ou - com a contribuição do presidente Lula - “Eu não sabia de nada”.
Grupo bom mesmo é aquele que não fica falando o tempo todo: “Antigamente tínhamos arrastão evangelístico”, mas que, se percebendo inativo, diz: “Que tal um arrastão evangelístico no domingo? Eu estou dentro!”. É gente disposta a ver a realidade que a cerca, e que tem coragem de dizer, e que tem coragem de fazer.
Pode ser - e sinceramente percebo que sim - que tenhamos os três grupos em nosso arraial, embora seja possível perceber que o terceiro grupo é sempre, e em todo lugar, o mais escasso. O grande trabalho de nossas vidas será proporcionar o encontro dos grupos. Para que tenhamos gente que vê, gente que fala e gente que faz.

liberdade, beleza e Graça...

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