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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia, Filosofia e Ética do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

domingo, 10 de junho de 2007

"O valor estava na Palavra"

A prisão do casal Estevam e Sônia Hernandez, líderes fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, trouxe para nós, os protestantes, um bom momento e motivo para reflexão. Muitos têm falado sobre o escândalo e abordado o episódio com os vieses mais curiosos, embora sempre sem muito oferecerem, além da ferrenha crítica de todos os dias.
Alguns críticos focam suas luzes em ilustres membros daquela igreja, mostrando que, apesar de tudo, até um milionário jogador da seleção brasileira de futebol está jejuando e orando pelo “apóstolo” e pela “bispa” (as aspas são de propósito, já que apóstolo não existe mais, uma vez que essa nomenclatura é para aqueles que tiveram contato direto com Jesus – Paulo aparece como “abortivo” e é outro caso – e “bispa” é simplesmente um crasso erro de português, já que o feminino de bispo é episcopisa).
O foco de outros, como o jornalista José Simão, da Folha de São Paulo, é o deboche. Ele zomba do evangelho dizendo que “agora, das duas paradas mais faladas do Brasil, a parada gay é a mais confiável, derrubando a marcha para Jesus da “Igreja Evangélica Enriquecer em Cristo””.
O foco que pretendo apresentar está na Palavra. A Bíblia que, levada pelo casal, continha em seu interior uma boa quantidade dos dólares não declarados pelos líderes da Renascer. Esse detalhe curioso me fez lembrar de um tempo em que eu guardava o salário dentro de meus livros e dizia de peito cheio – e metido a intelectual – “meu tesouro está nos livros”. E estava mesmo. Só que literalmente.
O tesouro dos líderes da Renascer também estava no Livro. Mas, percebe-se, o tesouro deixou de ser o próprio Livro faz tempo.
É difícil para nós, do mesmo movimento chamado evangélico, recebermos todas as críticas das pessoas que não diferenciam os segmentos religiosos e sempre acabam dizendo que “crente é tudo safado” e que “pastor é tudo ladrão”. Assim, cabe aqui dizer que não podemos compactuar com o discurso de uma igreja que culpa o diabo pela “perseguição” de seus “ungidos”, sendo que esses mesmos “ungidos” têm um patrimônio líquido de 18 milhões de reais, haras para cavalos de raça e mansões na Flórida, mesmo que tendo uma dívida que, só de aluguel de salões para cultos, está em torno de 12 milhões de reais.
Quem está de pé, cuide para que não caia, diz a Bíblia. Portanto, mais do que criticar, essa é uma convocação do povo de Deus para orarmos pelos Hernandez. Orar para que ao abrirem a Palavra da próxima vez – sobretudo se for na presença de desconhecidos, como aqueles policiais americanos – eles encontrem um tesouro perdido. E não precisa ser em dólar, visto que, em se tratando de Bíblia, só as letrinhas bastam.

liberdade, beleza e Graça...

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