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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

domingo, 10 de junho de 2007

"Da parada e da marcha"

Há alguns meses, a prefeitura de São Paulo apresentou projeto de lei que permitiria o uso da Avenida Paulista somente para três grandes eventos a cada ano. A Corrida de São Silvestre era senso comum, a Maratona de São Paulo também. Restaria espaço no calendário para mais um evento, só que dois disputavam tal posição; a Marcha para Jesus e a Parada Gay. Por uma série de motivos, que só o mercado conseguiria explicar, a Parada ficou com a última vaga. Os evangélicos ficaram, então, proibidos de usar a mais importante avenida, da maior cidade do país, em seu ajuntamento festivo. Como teólogo, pastor e futuro sociólogo, esperei com ansiedade pelos dois eventos que, curiosamente, aconteceram no mesmo final de semana; numa quinta-feira, a Marcha e no domingo, a Parada. Espremendo-se entre as ruas menores da cidade no feriado da quinta, a Marcha para Jesus reuniu 4 milhões de pessoas, segundo os organizadores, e 3,5 milhões, segundo a Polícia Militar (confesso que nunca entendi essa constante diferença). No domingo, a Parada Gay reuniu 3,5 milhões, segundo os organizadores e, muito curiosamente, não trazia os números da PM, que disse ser “possível contar na Paulista, mas não nas ruas adjacentes”. Confesso que tal informação me chamou demais a atenção. Afinal, os evangélicos não puderam sair das ruelas e mesmo assim puderam ser contados! Aquilo me “cheirava mal”, mas, ainda assim, continuei a analisar os eventos, tentando ser o mais imparcial possível. Com os 3,5 milhões - segundo a PM - dos evangélicos nas espremidas ruas, apenas 60 incidentes foram registrados (um número considerado muito ínfimo, em se tratando de tantas pessoas em um mesmo espaço). E, ainda assim, esses incidentes diziam respeito, quase sempre, a quedas de pressão arterial dos que não suportavam o intenso calor. Fora isso, nada de errado em um ambiente onde não havia cigarro, bebida alcoólica ou qualquer tipo de droga proibida. A Parada Gay registrou (tenho todas as matérias jornalísticas em meu computador) assaltos, furtos, brigas, agressões a jornalistas e a autoridades e, pasmem, teve apoio governamental até mesmo na impressão de panfletos que ensinavam a “como cheirar cocaína com segurança”! Felizmente, os panfletos foram considerados “politicamente incorretos”, e proibidos em cima da hora. Não sou homófobo e sempre tive muitos amigos gays. Esse não é, portanto, um espaço para a crítica ao movimento deles. Por outro lado, penso que chegou a hora de os evangélicos fazerem o uso legítimo da nomenclatura protestante e mostrarem que 4 milhões nas ruas não é qualquer coisa, e que é digno ser crente e fazer a opção pelo caráter de Cristo, sem ter de ser chamado a todo o momento de alienado ou manipulado. Afinal, manipulados terão de ser os números da PM, para que o Livro dos Recordes receba a Parada paulistana como a maior do mundo, superando a si mesma. Entre uma e outra, enfim, fico com a Marcha e seus quase 4 milhões. Afinal, sou um ser com alguma aversão a paradas e toda paixão pelos movimentos.

liberdade, beleza e Graça...

6 comentários:

Michele Dantas Tunes disse...

Oi, Gael!
Gostei muito de seu texto, ainda mais pq estive alienada de todos essas paradas este ano, vc de 1° mão me deu as notícias.rs

Amei msm!
Muito boa a crítica (bom, mas quem sou eu pra dizer isto, heim?).

Parabéns!

A fã da sua "letra"!

mi

Rafael Velasquez disse...

Tem parada que um barato. =)
Tem parada que é parada. =/

só pra deixar um abraço!
inté!

Tito Lívio disse...

gostei muito do seu blog, meu caro Sr Gael!
tenho de ter paciência p/ escrever o meu...

Abraços!

Felipe Fanuel disse...

Caro Clei,
É um prazer encontrá-lo, enfim, aqui na blogsfera. Espero que vc encontre aqui um campo fértil para o diálogo.

Interessante seu texto, mas acho que a Marcha para Jesus é tão manipulada quanto a Parada Gay. Eles se meteram a defender os salafrários dirigentes da Renascer. Isso mostra o quão partidário é este suposto movimento.

Um forte abraço.

P.S.: Coloquei um link para o seu blog no meu.

Anônimo disse...

Olá, pai e irmão.

Fico eu pensando, porque, de fato, fez-me refletir naquilo que já era de se esperar, essa passagem barulhenta em nosso país.
Gostaria, sobretudo, de analisar a produtividade dos movimentos, não apenas aquilo que aconteceu durante, mas as marcas que deixaram.

NA GRAÇA
LELLIS

www.nelsonlellis.blogspot.com

Rafael Velasquez disse...

depois da uma lida nisso http://budaverde.blogspot.com/ - The Namesake.

abraço