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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

quarta-feira, 11 de março de 2009

“Caminhos da espiritualidade”

No evangelho de Lucas, um episódio curioso toma a parte dos versículos de 36 a 50, do capítulo 7. Trata-se de um convite feito por um fariseu chamado Simão para que Jesus fosse à sua casa para uma refeição e um momento agradável entre pessoas amigas.
O texto diz que, estando eles à mesa, apareceu uma mulher “de má fama” e começou a lavar os pés de Jesus com um perfume muito caro e a chorar, enxugando os pés do mestre com os próprios cabelos. O detalhe do texto nos faz perceber que essa mulher se achega por trás e nem se deixa ver ao certo, pois já chega se curvando e ungindo Jesus.
O fariseu, ao ver esse ato, pensa consigo; “se esse homem fosse realmente um profeta, saberia quem é essa mulher e a fama que ela tem pela redondeza”. Jesus percebe o olhar daquele homem e pergunta: “Simão, quando uma pessoa deve 50 dinheiros e outra, 500, sendo as duas perdoadas pelo credor, qual será a mais grata?”. O fariseu responde que seria “aquela que devia mais”, e Jesus o aprova na resposta. Ao olhar para a mulher, o mestre completa: “Está vendo essa mulher? Desde que cheguei ela não cansa de molhar meus pés com as próprias lágrimas e a enxuga-los com seus cabelos, mas você não me ofereceu nem água para lavar os pés (era tradição oferecer água para lavagem dos pés aos convidados, uma vez que se andava de sandálias por ruas de terra). Você não me ungiu a cabeça com óleo perfumado (tradição dos ricos para com seus convidados ilustres) e ela gastou seu perfume nos meus pés (mostrando que ela se propunha a gastar até mesmo nos pés o que era para a cabeça!). Você não me beijou ao entrar (outra tradição para com convidados ao momento de maior intimidade que um judeu pode oferecer – chamar para uma refeição), mas ela não cansa de beijar os meus pés, depois de os enxugar de suas lágrimas sinceras de arrependimento por sua vida. Para quem foi muito perdoado, Simão, é normal mostrar mais amor, por isso essa mulher teve todos os pecados perdoados, uma vez que mostra que sabe amar sinceramente uma pessoa”.
Em dias como os de hoje, onde se tem “muita intimidade” com Jesus, chamando-o das maneiras mais variadas; em que se ouve CDs gospel aos borbotões; em que se tem simpatia pelo movimento evangélico ou se vai vez por outra a um culto, é natural vermos pessoas que têm “grande intimidade” com Jesus, mas que não o conhecem de fato. Essa era a situação de Simão; convidou o mestre para o momento de maior intimidade na vida de um judeu, mas não sabia nem se o convidado era profeta ou não! Nem conhecia de fato quem estava se achegando à sua mesa.
Tinha intimidade – ou a provocava – com alguém que não se deu ao luxo de saber quem realmente era, ao fim e ao cabo. Penso, por tudo isso, que ser “íntimo” das coisas de Deus, não faz de alguém verdadeiramente conhecedor do mesmo.
Os atos esquecidos por Simão foram os mais básicos de uma relação de proximidade: água para os pés, beijo de boas-vindas e perfume para mostrar honra. É muito natural vermos pessoas que têm Jesus como algo muito precioso, mas que se esquecem dos atos mais básicos de uma verdadeira espiritualidade. Vemos crentes praticamente “voando” nos cultos pseudo-evangélicos, mas os vemos fechando os vidros de seus carrões, para não ter de dividir a “bênção que Deus deu” com os mais “pobres e sujos” da igreja. Mas a prova da salvação está justamente nisso; na capacidade de exercitar fé e de amar, lembrando dos atos mais básicos que uma verdadeira espiritualidade oferece.
O texto diz que a fé salvou a mulher de má fama. A independer de sua vida, aquela mulher conhecia Jesus e por isso fez o que fez. Não faria se não tivesse a absoluta certeza de que se derramava diante de um profeta. Ou melhor, do profeta; aquele que pode perdoar a salvar.
E é por isso que digo sempre; não é difícil saber se alguém é salvo. Basta ver a capacidade de exercitar fé e de amar; quem, com fé, ama muito, foi muito perdoado e, por fim, salvo. Quem não exercita fé e ama pouco, foi pouco perdoado e não foi salvo. Simples assim. Você foi salvo?

liberdade, beleza e Graça...

7 comentários:

Mariáh disse...

Esse post foi sua pregaçãao..muuito bótima! Que Deus te abençoe Pr.! hehe...Fica com Deeus.!

Hig. disse...

Sim, eu fui salvo. Belo post, belas palavras.

E a pregação foi ótima. Espero que volte mais vezes. Abração ;*

Bruna disse...

Lindo texto!!!! =]
Que pregação adificante...nos traz reflexões sobre como somos desobedientes mesmo estado "na presença de Deus".
Quantas vezes não julgamos pessoas pela aparência, ou pré julgamos pessoas sob a influência de fofocas e comentarios que só servem para fazer intriga.
Como a bíblia mesmo diz em Mateus 7:1 - "Não julgueis, para que não sejais julgados", e esse é o primeiro ponto da minha reflexão.
O salmo 139 mostra a onisciência de Deus em relação as nossas vidas, e por isso ele é o único digno de nos julgar segundo a sua justiça...primeiro pq ele é o único que conhece o profundo dos corações de cada um, e segundo porque ele é o unico ser puro, livre da mácula do pecado.
É dificil não julgarmos e não pecarmos, mas é possível se tivermos fé em Deus e na sua justiça, e por isso com certeza não podemos ser salvos se não tivermos fé. "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé" Efésios 2:8
um beijo enorme de alguém que sente um carinho muito especial por vc =)

Mariáh disse...

Oi..valeu pela correção..rsrs..mas eu pensei que era assim que se escreviia...!! kkk² 'mim vai cunsertáa'! aaahuahauahau

Beijões e fica com Deeus.!

Vinicius disse...

Me lembro de um retiro que participei com esse tema!
Abraço!

juliana disse...

Faz tempo que venho tentando comentar este texto. Que bom que hoje consegui. Quando li essas palavras pela primeira vez, confesso que vi "mais graça" neste blog, nem tanto pela religiosidade, mas pela forma como nosso Pai tem te cercado da sua benignidade. Eu comparo isto, com a palavra que está em Sl 1:1ao3.
Quanto à pergunta, SIM! fui salva! Porem, penso que todos os dias é necessário exercitar essa fé, para que ela nao se perca, nao morra. Eu posso recolher uma semente da mais bela árvore e plantá-la em terra. Se eu nao tiver os cuidados necessários, certamente ela nunca será uma bela árvore como outrora donde saiu. Talves ela ainda germine,cresça, porem, seus galhos serao mirrados e seus frutos dignos de maldiçao. Precisamos aprender a "cultivar"
nossa fé, e deixá-la dar bons frutos.Só assim o jardineiro terá a alegria de nos ter por perto.
ok?

quero mais textos assim!(5x)
rsrss

bjaum
DTA

Elis disse...

Bela passagem, excelente moral para refletirmos! E o mais interessante é que apesar de vc ter citado o nicho evangélico, ela serve para todas as religiões. Pois ser conhecedor de algo não significa sentí-lo e praticá-lo na mais pura forma.
Obrigada pela lição amigo!