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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia, Filosofia e Ética do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"A amizade e a humanidade que vêm antes do milagre"

O Evangelho de João é de fato de uma beleza incomum. Nele encontramos situações que nos movem a uma postura cada vez mais humanista e cada vez mais chegada ao que Deus espera realmente dos homens e mulheres nesta vida. Um dos textos mais conhecidos deste Evangelho é o da morte e ressurreição de Lázaro, um amigo de Jesus.

No texto que vem antes do milagre, porém, começando pelo versículo 22 do capítulo 10, Jesus está passeando pelo templo, quando é interpelado por líderes religiosos que o queriam pegar noutra de suas tradicionais "armadilhas". Jesus afirma categoricamente que de fato é o Cristo, o filho de Deus, e que faz tudo o que Deus faz, pois foi enviado para isso mesmo. Os religiosos judeus - que Jesus diz que não são suas ovelhas, pois não aceitam a sua palavra - encontram então razão para fazerem o que adoravam fazer e, pegando em pedras, obrigam Jesus a fugir da localidade, para que a morte não o encontrasse, através de pedras, antes do tempo da inadiável e fatal crucificação.

Depois disso, já um tanto distante da Judéia, o mestre de Nazaré fica sabendo que seu grande amigo Lázaro, que estivera doente, morrera e, movido por uma divina humanidade, decide que deve voltar e fazer algo pela família. Todavia, o mestre é repreendido pelos seus discípulos, uma vez que ainda havia bem pouco tempo que ele tinha fugido da morte na mesma Judéia. Apesar de esta narrativa não nos dar informações de natureza emocional tão claramente, é possível inferir que a postura de Jesus é a de um amigo fiel que, sabendo que queridos seus estão precisando de ajuda - pois mesmo estando Lázaro já morto, havia ainda algo a se fazer por aquela família enlutada e por todos os que o veriam em ação surpreendente -, decide que sua vida pode sim ser colocada em grande risco, pois nada supera o amor que uma verdadeira amizade oferece. E é tão verdadeira essa compaixão de Jesus, que Tomé, ao perceber o amor e o brilho no olhar do mestre, diz aos outros discípulos: "Vamos nós também, para morrermos com ele!" (João 11:16). Poucos falam do Tomé deste episódio, mas precisamos nos lembrar da tão rica postura de um grande discípulo, pois nenhum outro pensou do mesmo modo que aquele que, também humanamente, duvidaria tempos depois.

Em tempos em que a amizade verdadeira está cada vez mais escassa e quando o "um milhão de amigos" não passa de um número fictício em páginas de relacionamentos literalmente virtuais, é bom acessarmos um texto onde duas pessoas - Jesus e Tomé - se dispõem a colocar a própria vida em risco por causa de um amigo real.
O grande chamariz da narrativa em questão é a ressurreição do homem que já estava sepultado havia quatro dias. No entanto, o foco poderia ser outro, pois, ao invés de apenas um, que até já estava morto, poderia ter sido uma chacina de pelo menos mais 13! Tudo por causa de algo que parece, infelizmente, estar já démodé; a verdadeira amizade.

liberdade, beleza e Graça...

2 comentários:

victor disse...

Sabe aqueles textos que você tem vontade de que todo o mundo a sua volta leia. pois é...Deus te abençoe!Pastor camarada. =o)

Cleinton Gael disse...

valeu, grande vitão!
um abraço, cara.

liberdade, beleza e Graça...