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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Metodologia Científica do IFES - Instituto Federal do Espírito Santo.

sábado, 7 de setembro de 2013

"É a educação dos pais, seu estúpido!"

No panteão de frases antológicas que entraram para a história, encontra-se uma que tem inspirado políticos e políticas mundo afora. Na bem sucedida campanha presidencial do estadunidense Bill Clinton, James Carville escreveu num quadro: "é a economia, seu estúpido!", no intuito de chamar a atenção de um desatento correligionário seu para o foco que deveria ser prestigiado naquele momento pré-eleitoral.

Tal frase, que poderia ser a chave para quase tudo num mundo economicamente globalizado e conectado, não encontra respaldo no Brasil, quando o assunto é mortalidade infantil. Sim, para muitos, o que explicaria a taxa de mortalidade seria a falta de recursos nos lugares de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que, entre outras variáveis, analisa o acesso à água e esgoto tratados, bem como à renda mínima por uma família. A taxa de mortalidade, ao contrário do que se pensava, está muito mais ligada à educação dos pais do que à falta de dinheiro ou às condições mínimas de saneamento de uma localidade.

Pesquisa do Estadão Data mostrou que entre 232 variáveis testadas, nenhuma influi mais nas mortes na infância do que a falta de escolaridade dos pais. Quanto maior o analfabetismo de adultos, maior a taxa de mortalidade de crianças. Numa comparação entre os dois pólos mais distantes, a pesquisa, também referendada por Celso Simões, do IBGE, mostrou que, em municípios como Olho D´Água Grande (AL), 50 crianças de até 5 anos de idade morrem a cada ano, sendo que a taxa de analfabetismo dos adultos é de 46%. No outro pólo, a cidade de Blumenau (SC) tem a taxa de mortalidade cinco vezes menor, sendo de apenas 2% o analfabetismo entre a população adulta. 

A variável alfabetização dos adultos tem duas vezes mais impacto do que a variável pobreza na questão da mortalidade infantil. A variável acesso à água e esgoto tratados aparece apenas em terceiro lugar, sendo que tal variável quase sempre foi focada como a maior responsável pelas mortes de crianças, já que o saneamento básico era tido como uma variável praticamente indiscutível ao se debater tal temática.

O mais interessante de tudo é a explicação dada a tal fenômeno social: as pesquisas qualitativas mostram que, "ainda que não tenha saneamento básico, se a mãe tem um pouco de educação, consegue que o filho tenha acesso aos programas sociais do governo, o que evita a morte da criança", segundo Celso Simões. Por outro lado, "com um pouquinho de escolaridade, as mães já podem reconhecer os principais sintomas das doenças que acometem seus filhos e procurar a adequada ajuda".

Por conta disso, antes de referendar a crítica a programas sociais, que muitos chamam de "esmola para quem não quer trabalhar", seria interessante analisar os números do impacto de tais programas para a evitação da mortalidade infantil no país. Fora que, com a obrigatoriedade de se ter as crianças na escola, no longo prazo se estará formando adultos com um mínimo de educação formal, o que evitará a morte de um imenso contingente de crianças brasileiras. Se ainda são entendidas como ações pontuais e não estruturais, não se pode negar, à luz dos números da pesquisa aqui analisada, que, no longo prazo, poderão ser reconhecidas como ações estruturalmente transformativas. Então, ao que não atentava para o principal foco, mais do que pobreza e falta de saneamento, é a educação dos pais, seu estúpido!

liberdade, beleza e Graça...

2 comentários:

Will disse...

Na minha humilde opinião, é só pela educação que se transforma um país. Mas, sabe como é, né? Demora muito... Investir na educação só tem resultado depois de muito tempo. Nenhum político vai se reeleger ou conseguir outro cargo em 4 anos gastando a maior parte dos seus recursos em Educação já que este resultado só aparece em 20, 30 anos. Não vale a pena politicamente falando... :/

Liana disse...

Não sei se exagero, mas parece que a Educação sendo a chave para uma boa saúde, é também para a vida.