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Graduado em Artes Cênicas, Teologia e Ciências Sociais. Mestre em Sociologia e Direito pela UFF e Doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ. Pesquisador de Relações Raciais no Brasil, Sociologia da Religião e Teoria Sociológica. Professor de Sociologia e Filosofia do Instituto Federal do Espírito Santo - IFES.

domingo, 10 de junho de 2007

"O papa é pop, mas o Estado é laico"

A visita do Papa Bento XVI ao maior país católico do mundo serviu, mais do que qualquer outra coisa, para quebrar uma série de paradigmas e pré-noções de uma boa quantidade de pessoas que não tinham ainda muito o que dizer. Quase tudo o que se pensava acerca do líder-mor do catolicismo romano caiu por terra, quando o velho Joseph Ratzinger desembarcou nessas terras.
Bento XVI, ao contrário do que se pensava antes, esbanjou simpatia, encontrou-se animadamente com jovens, quebrou protocolos para estar mais perto do povo e despistou, inteligentemente, todos aqueles que não queriam fazer mais do que colocá-lo em uma “sinuca de bico”, como diria o ditado popular, com “perguntas difíceis”.
Embora tenha conseguido provar que pode ser tão “pop” quanto o foi Carol Woytila, o falecido João Paulo II, Bento XVI não conseguiu convencer os adeptos de seu sistema religioso de que o seu pensar continua coerente e que, portanto, não precisa de mudanças imediatas - mudanças essas que Lutero já apregoava no século XVI.
O atual Papa entende que uma mulher não pode interromper uma gestação, mesmo quando sua vida corre, com todas as provas médicas, sério risco; entende que qualquer método contraconceptivo é nocivo, mesmo que o contingente populacional esteja à beira do colapso, e provocando cada vez mais uma péssima distribuição de renda; e “ameaçou” os traficantes de drogas, afirmando que “eles terão de se entender com Deus”, isentando - irresponsavelmente - de culpa as autoridades e o Estado brasileiro.
Contudo, os dois pontos mais altos da visita papal ao país dizem respeito ao pedido do líder católico para que o presidente Lula declarasse que o Brasil é um país católico, e à briga entre Rede Globo e Rede Record de televisão em torno da visita do “sucessor de Pedro” (as aspas são de propósito, uma vez que o papado foi instituído muitos séculos depois da morte do simples pescador que acompanhava Jesus).
Ao se pensar em atrelar religião e Estado com tal pedido ao presidente, Bento XVI teve de ouvir, já não com o mesmo sorriso nos lábios, que “o país é de maioria católica, mas é, e continuará a ser, laico”. No segundo ponto alto da visita, a Rede Record nada mais fez do que sensacionalizar o momento, colocando-se ferozmente favorável à questão do aborto, e isso sem qualquer critério ético, visto que o que importava era atacar a Globo. Atacada, essa última respondeu na mesma moeda, fazendo questão de enfatizar o momento em que o Papa chamava os protestantes e os outros não católicos de seitas, algo que é como um xingamento para todos aqueles que pensam de maneira diferente da maioria católica.
De ponto positivo, ficou a possibilidade de se continuar a ter no país um espaço para todos os pontos de vista, já que, graças a Deus, não somos um país dividido entre católicos e protestantes, como querem a Record e a Globo, mas uma nação que é tudo ao mesmo tempo agora.

liberdade, beleza e Graça...

Um comentário:

luis brito disse...

Chefe!
Gostei do texto, principalmente das separações analíticas que tu fizeste entre antropológico, sociológico e político..
Apenas fiquei curioso por entender este tal racismo estrutural que falaste...Mas isso eu descubro na estrada das humanas...
abraços...